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terça-feira, 13 de novembro de 2012

Vitória de Djokovic em Londres

E chegámos hoje ao final da temporada ATP, com a final das ATP World Tour Finals em Londres. Falta ainda a final da Davis Cup entre a República Checa e a Espanha para terminar definitivamente este ano tenístico de 2012.

Apesar de nem sempre jogado ao seu melhor nível, foi um encontro muito interessante e incerto quanto ao vencedor final, a fazer jus à capacidade dos dois tenistas. No final a vitória sorriu ao número um mundial Novak Djokovic, que venceu o seu sexto título da carreira e o segundo torneio de final de ano - primeiro ATP World Tour Finals, visto o primeiro ter sido em 2008, quando ainda se chamava Tennis Masters Cup.

O encontro começou com Roger Federer a entrar muito forte e a adiantar-se rapidamente para 3-0 com um break de vantagem (só vi a partir do 2-0 visto ter saído mais tarde da frequência de Cálculo, mas pelo que vi e ouvi julgo que foi isto que aconteceu). A reação do líder do ranking mundial não se fez esperar e Nole recuperou logo de seguida o break para igual a 3-3. 
O set manteve-se equilibrado por mais dois jogos, até que Nole volta a quebrar para 5-4 com um Federer mais errático nesta fase. Seguidamente, o sérvio serviu para fechar o set cheio de confiança mas o campeoníssimo suiço mostrou que não iria ser assim tão "fácil" e salvou um set-point para levar o encontro a um tie-break - Federer ainda esteve a dois pontos da vitória no 6-5, mas Djokovic conseguiu levar a partida a um desempate após ter sido assistido medicamente fruto de um "voo" mal sucedido.

No tie-break, outra vez muito suspense e pressão até que, ao terceiro set-point, Nole cerra o punho e adianta-se a 7-6(6).

Esperava-se um número um mundial mais forte no início do segundo set, mas Roger Federer "ainda mexia" e voltou a quebrar para começar o parcial. Com mais ou menos dificuldade, Djokovic foi confirmando o resto dos seus jogos de serviço sem nunca ameaçar verdadeiramente o contra-break e eis que Federer serve a 5-4 para levar o encontro à "negra". Aí, Nole consegue finalmente o break na reta final e, cheio de confiança, embala para três jogos consecutivos e ao primeiro championship-point é mesmo o sérvio o vencedor das Barclays ATP World Tour Finals 2012!

É um grande final de ano para o Nole, que após uma temporada de terra batida e relva sem qualquer título venceu em Cincinatti, Tóquio e Pequim antes de ser coroado Tenista do Ano na capital inglesa. Não foi um ano tão bom como 2011 - ele próprio admitiu que seria muito difícil fazê-lo, e de facto foi - mas foi outra temporada bastante positiva com a estreia na final de Roland Garros e a renovação do título do Open da Austrália e mesmo agora este triunfo em Londres. O posto de líder do ranking nem sempre foi uma realidade mas Novak Djokovic é merecidamente o melhor tenista deste ano.

Quanto a Roger Federer, o suiço mostrou aos seus críticos (entre eles eu, que apesar de ser fã há muito tempo do recordista de vitórias em Grand Slams nunca pensei que ele voltasse ao seu nível de anos anteriores) que ainda é um nome a temer em todo e qualquer torneio. Com o seu sétimo título em Wimbledon e a marca das 300 semanas na liderança do ranking alcançada, Federer bateu dois recordes que há muito ambicionava e provou que ainda está aí para lutar taco-a-taco com os melhores.


E é tudo, cumprimentos
Pedro Mendes

domingo, 4 de novembro de 2012

BNP Paribas Masters - último Masters 1000 da temporada

Esta semana teve lugar em Paris o BNP Paribas Masters, nono torneio da temporada da categoria Masters 1000 e também o último evento ATP antes das ATP World Tour Finals de Londres.

Foi, de certo modo, um torneio atípico. Rafael Nadal já se sabia que não ia estar ainda a postos para voltar aos courts, enquanto o campeão em título Roger Federer anunciou logo após perder a final de Basileia que também não ia marcar presença na Cidade das Luzes.
Depois, começou o torneio. Na segunda ronda (teve Bye na primeira), Novak Djokovic é logo eliminado após um (também atípico) encontro contra o norte-americano Sam Querrey; o sérvio venceu os primeiros oito (!) jogos do encontro para depois acabar por perder 0-6 7-6 6-4. Andy Murray também não fez muito melhor, já que caiu ao seu segundo encontro (3ª ronda) contra o qualifier Jerzy Janowicz após ter desperdiçado match-points! Pela terceira semana consecutiva, o escocês fá-lo (quem se lembra da épica final de Xangai?)... Nota-se uma necessidade de descanso, mental principalmente, para o nº3 mundial.

E com isto tudo, consegui introduzir o Jerzy Janowicz no post (se bem que eu introduzo quem bem me apetece, mas esta continuidade temática até que acho que correu bem... ou então sou só eu a divagar). Sim, ele de facto era um qualifier classificado no 69º lugar do ranking - número curioso. Porém, isso não o impediu de derrotar dois top10 (além do Murray, também Janko Tipsarevic sucumbiu ao serviço poderoso e aos amorties clínicos deste polaco de 21 anos) e ainda o tenista da casa Gilles Simon no encontro de acesso à final - também ele um antigo top-10, atualmente no top20. Este Janowicz tem muito jogo, se continuar nesta forma em 2013 será um nome a ter em conta no circuito... faz-me lembra de certa maneira o John Isner e o Tomas Berdych.

Depois, finalmente, na final, o adversário do JJ (não é o Jorge Jesus, esse não joga "ténes") era o nº5 mundial David Ferrer que passou a semana discretamente, vencendo os seus jogos e cumprindo a sua parte num quadro relativamente fácil após a desistência de Roger Federer. Chegados à final de hoje, o polaco ainda teve as suas hipóteses: ponto de break no oitavo jogo do primeiro set (antes de acabar quebrado no jogo seguinte) e dois jogos no segundo set que duraram ambos 10 minutos e que caíram para o lado do espanhol - sendo que um desses jogos era aquele em que Janowicz "devia" ter confirmado o break alcançado anteriormente. Como se pode ver, não passaram de oportunidades falhadas e foi mesmo David Ferrer o vencedor do BNP Paribas Masters, triunfando por 6-4 6-3.

Já se sabia de antemão que o vencedor seria um estreante em torneios desta categoria, e esse estatuto acabou por (finalmente) cair para o lado de David Ferrer. Aos 30 anos, o espanhol vence finalmente um evento Masters 1000 após três finais perdidas (Roma 2010, Monte Carlo 2011 e Xangai 2011). Título merecidíssimo para um jogador que é normalmente subvalorizado na sua carreira; como todos os espanhóis, é um tenista especialmente bom em terra batida (com a variante de ter cabeça e não ser um poço de inconstância como Feliciano Lopéz ou Fernando Verdasco, além de ser destro), talvez mesmo o segundo melhor do mundo, mas como está na geração de Rafael Nadal "leva sempre na boca" quando joga contra este em finais de terra batida. Desta vez não, e curiosamente até nem foi em terra batida que o valenciano venceu o seu primeiro Masters 1000... Grande temporada para Ferrer, com 7 títulos em três superfícies diferentes (o tenista com mais títulos da época).

E bem, com isto tudo, começa o Masters de Londres amanhã e o Nole regressa, também, à liderança amanhã. Espero que ele esteja preparado para ganhar este ano após a fraca prestação do ano passado, em que chegou perto da exaustão total à capital inglesa... Já agora, votem na sondagem!

Cumprimentos,
Pedro Mendes

Final da temporada WTA em Praga e Sófia

Foi um grande dia de ténis hoje, com três finais; duas no circuito feminino, as duas últimas da temporada, e uma no circuito masculino, a última antes do Masters de Londres da próxima semana (com exceção da final da Taça Davis).

Começando pela final da Fed Cup: voltou a ser ganha pela República Checa, que venceu em casa a estreante Sérvia - estreante na final, pois jogadoras como Ana Ivanovic e Jelena Jankovic já foram líderes do ranking mundial e esta última é mesmo considerada (não por mim) com uma das melhores tenistas a jogar na Fed Cup nos últimos anos.
A final começou no sábado, onde tranquilamente Lucie Safarova e Petra Kvitova derrotaram, respetivamente, Ana Ivanovic e Jelena Jankovic. Hoje, inverteram-se as adversárias e a Ana começou por derrotar categoricamente (e surpreendentemente, verdade seja dita) a Kvitova e ainda deu esperança à Sérvia! Só que logo depois, a Safarova mostrou que não estava lá para brincar - como Kvitova anda a fazer... - e arrasou a JJ por duplo 6-1. Sétima Fed Cup para as checas!

Se a Ivanovic tivesse jogado tão bem contra a Safarova como fez hoje, a Sérvia poderia perfeitamente ter ganho considerando o mau momento da Kvitova... Mas a Jankovic também está muito aquém, ela que já diz que está a ponderar abandonar a equipa da Fed Cup; pode-se não gostar, mas é um facto que a JJ é um elemento muito importante para as sérvias e a Bojana Jovanovski ainda está muito "verdinha". Para o ano há mais :)

Já em Sófia, teve lugar esta semana o Torneio das Campeãs - chamando de Masters B na gíria -, oficialmente o último evento WTA da temporada. Este ano voltou a ser disputado em fase de Round Robin, contando com a presença de tenistas que venceram pelo menos um título nesta temporada - casos das antigas top10 Nadia Petrova e Daniela Hantuchova e também a número 1 em Janeiro deste ano Caroline Wozniacki. 
Na final, a Petrova derrotou a Wozniacki por 6-1 6-2 facilmente e confirmou a grande segunda metade de temporada; vai acabar o ano no 12º lugar. Já a dinamarquesa assegurou mesmo no limite o seu regresso ao top10, terminando 2012 no 10º posto. Claro que é bom mas para uma tenista que era líder do ranking há pouco mais de nove meses, ficar pela primeira ronda nos últimos dois Majors e não ir a Istambul para jogar em Sófia (e mesmo assim não ganhar o troféu) não pode ser considerada como uma boa temporada... o problema é ela achar que pode.

domingo, 28 de outubro de 2012

WTA Championships 2012 - Serena volta a arrasar

Hoje foi um grande dia de ténis e eu, devido a ter de voltar para Lisboa após o fim-de-semana, perdi três grandes finais. Sim, estou moderadamente chateado.


Depois desta interessante introdução, vamos lá falar do que diz no título: a final de Istambul.

Sem grande surpresa, a final foi entre Maria Sharapova e Serena Williams. Sim, no último post eu falei que a final seria entre a nº1 Victoria Azarenka e a norte-americana mas com o andar da competição, percebi que a Vika não estava na sua melhor forma ao contrário de Sharapova; viu-se na meia-final até, que quer física (os haters vão dizer que voltou a fingir uma lesão, eu pessoalmente penso que a 100% pelo menos não estava) quer psicologicamente a russa estava lá para ganhar.

Mas, como tem sido hábito desde a segunda metade do ano, a motivação de qualquer tenista vale zero contra Serena Williams. Serena voltou a vencer um grande torneio vulgarizando as melhores tenistas do mundo (venceu em dois Vika e Masha para vencer o seu terceiro Masters) e aí está ela perto de ser eleita a Tenista do Ano. E com isto vem a questão do posto de número um...
É um facto que a tenista a jogar melhor ténis, que entra em campo favorita em todos os encontros, é a norte-americana; venceu dois Majors e agora o Masters, além de mais seis títulos, e só não é líder WTA porque perdeu na primeira ronda de Roland Garros num grande encontro contra a "banal" Virginie Razzano. No entanto, a tenista mais consistente tem sido Victoria Azarenka, dentro ou fora dos Majors. A bielorrussa só perdeu o seu primeiro jogo no final de Março, em Miami, e foi a duas finais de Grand Slams tendo vencido em Melbourne. Eu pessoalmente acho que a Vika merece terminar o ano no topo, apesar de o prémio para a Tenista do Ano ficar melhor atribuído se for para a Serena. Para o ano, logo se vê.

Também perdi as finais de Valência e Basel, pelo que vejo. Em Valência ganhou o David Ferrer, como se esperava, no último torneio do antigo nº1 mundial Juan Carlos Ferrero; tenho pena de não o ter visto ao seu melhor, quando em 2003 venceu Roland Garros por exemplo. Lembro-me dele o ano passado no US Open quando chegou à segunda semana vencendo o Gael Monfils por exemplo e depois perdendo num grande jogo para o Janko Tipsarevic. El Mosquito para sempre!

Já em Basel (não gosto do aportuguesado Basileia), pensava mesmo que o título ia para o Roger Federer. Parece que foi uma grande vitória do Juan Martin del Potro, 6-4 6-7 7-6. Isto confirma a ida do argentino ao Masters - do qual já foi finalista em 2009, perdendo para o Nikolay Davydenko - e faz o Federer ficar mais perto de, inevitavelmente, perder o posto de nº1 antes do final do ano. Agora vamos para Paris e Londres, vamos ver o que acontece.

Ah, falar ainda do Gastão Elias que quase voltou a vencer um Challenger no Brasil. A vencer por 6-2 5-3 contra o alemão Simon Greul, acabou por perder a partida... Porém, isso não mancha o grande final de ano do nº3 nacional - já perto de ultrapassar Frederico Gil -, que já havia vencido no Rio de Janeiro (este foi em Porto Alegre).



E é tudo, cumprimentos
Pedro Mendes

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Antevisão dos WTA Championships de Istambul

Começa hoje em Istambul o TEB BNP Paribas WTA Championships Istanbul 2012, comummente conhecido como Masters WTA. Como é hábito, reúne as oito melhor tenistas da temporada e ainda as restantes duas tenistas do top-10 (que partem como "meras" suplentes, podendo ter hipótese de jogar caso alguma das selecionadas se lesione ou desista por alguma razão.
Na edição deste ano, nota para um pormenor curioso: todas as tenistas, incluindo até as suplentes, são de nacionalidades diferentes. Cada vez mais o ténis feminino se tem globalizado, depois de anos em que o domínio pertencia às tenistas de leste, principalmente Rússia e República Checa, e mais recentemente as norte-americanas irmãs Williams.

Ambos os grupos têm (pelo menos) uma antiga vencedora e uma estreante.
No Grupo Vermelho, Victoria Azarenka e Serena Williams irão provavelmente discutir o primeiro lugar enquanto Angelique Kerber e Li Na terão de jogar mesmo ao seu melhor nível, ou até mesmo um pouco mais, para poderem aspirar a passagem às meias-finais. Este é provavelmente o grupo mais forte; conta com a número 1 e finalista na temporada passada, a já referida antiga vencedora (Serena Williams, 2001 e 2009), a estreante Angelique Kerber (que é para mim muito mais forte que Sara Errani, a outra tenista que se estreia no "5º Major") e ainda Li Na, que repete a presença do ano passado e que ao seu melhor nível pode bater qualquer uma - bem, talvez menos Serena Williams...
Neste grupo a Serena é uma incógnita; tem jogado pouco ou nada desde o US Open, e apesar de ser a tenista mais em foco nos últimos tempos já não joga o Masters há três anos e, como disse, não está em forma; porém, penso que as duas que irão passar são a norte-americana e a Azarenka, que tem feito um ano muito bom que pode terminar em beleza com este título. De resto, talvez se Kerber ou Li Na estivessem no Grupo Branco pudessem passar mas assim, vai ser complicado... Mas ténis é ténis.

Passando agora ao Grupo Branco: aqui figuram as antigas campeãs Maria Sharapova e Petra Kvitova (esta última a campeã em título), além de Sara Errani e de Agnieszka Radwanska, confirmada definitivamente como uma tenista de topo nesta temporada.
Penso que será um grupo mais em aberto do que o Vermelho. Com exceção de Sara Errani, que está uns furos mais abaixo neste superfície do que as três europeias de Leste, qualquer uma pode passar à próxima fase... À partida as favoritas são Maria Sharapova - que este ano já liderou o ranking e sabe como se vence o Masters - e Petra Kvitova, por ser a campeã em título e também pelo tipo de piso, hardcourt indoor.
No entanto, nenhuma das duas está especialmente em boa forma e a Kvitova tem tido um ano que roça o desapontante. Depois de quase ter sido número 1 há um ano, chega a Istambul no 6º posto (é 5ª cabeça-de-série mas com a perda dos pontos do ano passado começou esta semana no 6º lugar) e não tem jogado mesmo nada de especial; enquanto que a Radwanska teve um ano muito bom - depois da final em Wimbledon foi mesmo vice-líder do ranking - e julgo que, considerando as duas atualmente, Radwanska pode perfeitamente deixar a campeã já pelo caminho.

No final, como já referi, espero que vença a Victoria Azarenka.

Cumprimentos,
Pedro Mendes