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quinta-feira, 27 de março de 2014

Benfica e o fantasma da época passada


Há cerca de nove meses, mais concretamente a 25 de Maio de 2013, saía eu com o meu irmão do estádio do Jamor, onde nunca havia ido, e após ver o Benfica a alinhar a sua pior exibição da temporada no último jogo da mesma. Quase que chorei no jogo do Dragão, quando o Kelvin marcou aos 90+3 (sim, porque é muito bonito falar no minuto 92, mas isso é uma mentira que por ser repetida muitas vezes se tornou "verdade"), e no jogo contra o Moreirense, após termos perdido em Amesterdão a final da Liga Europa, estive lá a gritar pela equipa e a apoiá-los, consciente de que, apesar de a sorte também se procurar, não perdemos o campeonato e a Liga Europa por falta de esforço dos jogadores.

Porém, no Jamor, foi diferente. Os jogadores tinham obrigação de dar tudo, era o nosso prestígio que estava em causa e na final de uma prova onde até há poucos anos tínhamos tantos troféus como o Porto e o Sporting juntos. Mas não foi isso que se passou. Tivemos o jogo na mão até cerca de um quarto de hora do final, quando o Vitória marcou de rajada dois golos e aproveitou finalmente a nossa displicência gritante após termos feito cedo o 1-0. Aliado ao desentendimento entre o Cardozo e o Jesus e ainda à falta de fair-play da equipa durante a entrega da Taça, essa foi, para mim, a gota de água; saí de lá a gritar "vocês são uma vergonha" com muitos outros adeptos. Já no metro em Lisboa, a vir para casa, conheci um adepto de Vila Real (de onde até sou natural, apesar de me considerar flaviense) que ainda ia mais desolado que eu, pois tinha ido ao Dragão, a Amesterdão e agora ao Jamor e tudo para estar perto de perder o autocarro para voltar para Trás-os-Montes nesse dia - espero que o tenha apanhado.

Jurei a mim mesmo que este ano não iria sequer ver na televisão um jogo do Benfica para o campeonato (para a Liga dos Campeões cheguei a ir ao estádio, pois é uma competição totalmente diferente e gosto de ir à Luz mais para ver clubes que não vejo todos os fins-de-semana). Até ao jogo com o Porto na Luz, não tinha vontade nenhuma de ver o Benfica e quando ficámos a cinco pontos da liderança já dava o campeonato por perdido... Porém, e como isto é futebol, onde tudo pode mudar de um momento para o outro, mudou mesmo: estamos com 12 pontos de avanço sobre o Porto e 7 sobre o Sporting, e ainda temos hipótese de ganhar todas as competições. Além dos jogos da Liga Europa - competição que acho que não é para nós, preferia muito mais chegar aos oitavos-de-final da Champions -, tenho visto jogos do campeonato recentemente e estou relativamente confiante para este final de temporada.

No entanto, e conhecendo o JJ, o jogo de ontem deixou-me preocupado. Não pela derrota, pois nós não somos invencíveis e ainda vamos perder ou empatar mais jogos até final do ano - e é preferível perder agora, que perder todos em Maio como aconteceu na temporada passada... O que me irritou foi o discurso do Jesus ontem. Eu não o culpo pela derrota, pois de certeza que Salvio, Sulejmani e Cardozo não recebem assim tão pouco para darem uma para a caixa como se passou ontem, mas o homem tem de reconhecer quando joga mal, e ontem foi o que se passou! É que agora que tipo de discurso é que ele terá com a equipa? "Jogámos bem mas tivemos azar, na Luz damos a volta a isto"? Este tipo de discursos são perigosíssimos, e uma equipa com o Benfica tem de dar o máximo em todos os jogos, seja com a equipa A ou a B, e não pode nunca ficar satisfeita com uma derrota, ainda para mais com o Porto!

Mantenho a minha opinião de que o Jorge Jesus não tem postura para treinar o Benfica (além de ganhar muito para quem só tem quatro troféus, sendo três deles Taças da Liga), e que o seu tempo já acabou, mas de igual modo sempre defendi que, uma vez que começou a temporada, deve ir até ao fim e ainda bem que continuou. É nossa obrigação reagir já no domingo em Braga e continuar a apoiar a equipa e o treinador até final da temporada - e SÓ aí festejar. Carrega Benfica!

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Mandela e Eusébio

Tenho estado bastante afastado do Uspeti nos últimos meses por causa da faculdade e apesar de ainda estar em exames, hoje apetece-me escrever de novo alguma coisa e vou falar de uns temas dos quais ainda não falei.

No passado dia 5 de Dezembro morreu um dos pilares do que é a África do Sul hoje em dia, e provavelmente um dos maiores homens do século XXI: Nelson Mandela, carinhosamente chamado de Madiba (o nome da sua tribo, da qual seria "rei" se não tivesse enveredado pela carreira política).
Nasci no ano em que Mandela chegou à presidência. Logicamente, as memórias que tenho de ouvir falar nele são sempre posteriores a 2004, ano em que o primeiro presidente negro da África do Sul anunciou a sua aposentadoria de todas as questões políticas e passou a apenas raramente aparecer em público. Porém, quando saiu o Invictus - filme com Morgan Freeman no papel principal que retrata o papel de Mandela na vitória da seleção de râguebi sul-africana no mundial de África do Sul'94 -, a minha admiração por este homem cresceu imenso, e mais ainda depois de saber que ele morreu e ter passado horas a ler sobre a sua vida. É certo que, quando alguém morre, a tendência é para se sobrevalorizar a sua obra, mas por outro lado também é nestas alturas que surgem críticas ao seu trabalho pouco conhecidas anteriormente por parte do público... No entanto, juntando "isto" tudo, um homem que foi capaz de, ao fim de quase três décadas encarcerado, perdoar os responsáveis pelo seu aprisionamento - facto muito retratado em Invictus, onde ao contrário do que se esperava o Madiba não despede ou manda prender os membros do anterior governo, convidando-os antes a juntarem-se a si - e ainda ter a presença de espírito necessária para apenas estar um mandato no poder, mesmo sabendo que, caso assim o quisesse, o povo iria sempre votar nele, só pode merecer a nossa homenagem e o nosso respeito. Descansa em paz Madiba!

Um mês depois, e talvez cumprindo uma "profecia" que circulou no Facebook - uma rapariga, extremamente desolada com a morte de Mandela, postou uma foto a dizer "RIP Mandela" com a foto de Eusébio -, o Pantera Negra também deu por terminado o seu trabalho na terra. Foi também uma pessoa cujas memórias que tenho são já de ser uma lenda viva do meu clube e do meu país, uma vez que o que conheço da sua carreira futebolística, ou li, ou vi em vídeos no Youtube ou agora recentemente na televisão (onde estava a ver que íamos perder com a Coreia do Norte!). Penso que Eusébio da Silva Ferreira é, e sempre será, o maior expoente do futebol em Portugal. Alguém que ganha a Taça dos Clubes Campeões Europeus derrotando na final a maior potência mundial da altura (e ainda vai a mais três finais da competição), torna-se no primeiro jogador português a ganhar a Bola de Ouro, leva a sua seleção ao terceiro lugar do Mundial de 1966 (onde é o melhor marcador e o segundo melhor jogador da competição), conquista o campeonato português em onze ocasiões (tendo sido melhor marcador por cinco vezes consecutivas, se a memória não me falha) e é elogiado e admirado por muitos dos melhores jogadores de sempre, é homenageado pelos adeptos rivais na hora da sua morte, é certamente um exemplo para qualquer pessoa que se queira tornar futebolista. O meu obrigado, Rei, por tudo.

domingo, 29 de setembro de 2013

João Sousa e Rui Costa

Hoje, dia 29 de Setembro de 2013, foi feita história no desporto nacional; atrevo-me a dizer, aliás, que este dia é um dos maiores da história desportiva portuguesa de sempre. O tenista João Sousa e o ciclista Rui Costa, de vinte e quatro e vinte e seis anos respetivamente, elevaram hoje o nome de Portugal a patamares nunca antes alcançados nessas modalidades por um desportista luso.

Ambas as vitórias têm o seu significado; se, por um lado, os torneios ATP 250 são os menos reputados do circuito mundial e o Campeonato do Mundo de Ciclismo, apesar do nome pomposo, não tem de longe a importância no calendário que têm as grandes voltas e até mesmo as chamadas "clássicas", não é menos verdade que são grandes marcos no nosso desporto e que devem, por isso, ser louvados - e, acima de tudo, a capa de TODOS os jornais portugueses (com exceção, talvez, daqueles restritos a um dado tema que não seja o desporto/futebol) deve amanhã ser dividida quase exclusivamente por estes dois homens!

Mas bem, começando pelo ténis. Já na semana passada o João havia chegado às meias-finais em São Petersburgo, tornando-se no segundo tenista português depois de Frederico Gil no Estoril Open'2010 a alcançar fase tão avançada de um evento do circuito mundial. Esta semana, na capital malaia, o vimaranense quis mostrar que o bom resultado na Rússia não havia sido obra do acaso e o público português começou a perceber isso quando Sousa derrotou o número quatro mundial (top3 há uns meses) David Ferrer nos quartos-de-final; o que significa, sem tirar nem pôr, a melhor vitória de sempre de um tenista português!
Continuando a sua jornada, o João derrotou o antigo top10 Jurgen Melzer nas meias-finais e hoje, frente ao Julien Benneteau (que, coitado, já havia perdido as oito finais que jogou anteriormente no circuito profissional), o número um nacional ainda teve de salvar um championship-point no segundo parcial levar o francês de vencida e tornar-se assim no primeiro tenista português a vencer um título de singulares no circuito profissional de ténis; além disso, Sousa subirá amanhã para o 51º posto da hierarquia mundial, que representa a melhor classificação de sempre de um português e que o coloca à porta do lote dos cinquenta melhores.

Esta vitória do João, que há muitos anos que está radicado em Barcelona, é mais uma prova que o ténis português tem muito potencial se for bem aproveitado; caso os apoios que ele teve na Catalunha existissem aqui em Portugal, a modalidade não só se desenvolvia muito mais no nosso país como talvez ele tivesse começado a aparecer mais cedo.

A vitória do João Sousa consumou-se por volta do meio-dia português; por essa altura, em Florença, já se corria para o Campeonato do Mundo de estrada, onde o poveiro Rui Costa partia como um dos nomes a ter em conta. Só vi a parte final da corrida, quando o Rui ganha ao sprint ao Joaquín Rodríguez - dando a ideia que "Purito" se enganou e pensou que já tinha chegado à meta antes do tempo, apesar de também dar a ideia que mesmo assim a vitória seria do português); foi mais uma grande vitória de Costa nesta temporada, que provavelmente o vai levar a terminar o ano perto do top5 no ranking da UCI, ele que será parte integrante da Lampre na próxima época.

E pronto, foi isto que se passou hoje em Portugal; falo de acontecimentos interessantes, não das autárquicas e da tristeza que é a política no nosso país. Esperemos que estes feitos impulsionem de facto a mudança do paradigma desportivo português; pelo menos na minha opinião, o futebol mete-me cada vez mais nojo pela maneira como é jogado e debatido em Portugal, e falo tanto contra o Porto como contra o Benfica.

Um bem-haja,
Pedro Mendes

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

US Open 2013

É verdade, ando cada vez mais distante do Uspeti. Com a Faculdade, o Bolamarela.com, e agora também a revista que criámos no Departamento de Física (espreitem, é muito interessante não só para quem gosta de física: http://horizon.fc.ul.pt/), mal me lembro sequer de vir aqui.
Porém, tal como fiz no final de Wimbledon, também vou dar a minha opinião sobre a edição deste ano do United States Open - que, à semelhança do torneio no All England Club, terminou com Novak Djokovic a perder a final...

Foi um torneio que começou logo com a retirada de James Blake na 1ª ronda, que ainda venceu os primeiros dois parciais mas quis o destino que o encontro contra Ivo Karlovic fosse mesmo o seu último encontro; o norte-americano provavelmente não será relembrado como um dos melhores tenistas do seu país de sempre, mas o facto de ter sido nº4 do mundo - exatamente na semana em que chegou à final do Masters, em 2006 -, aliado à sua direita "canhão", irão certamente estar na memória de quem o recordar. Eu já não me lembro de o ver ao seu melhor nível, mas gostava bastante de quando o via em court. Para sempre, James Blake.

De resto, o campeão de 2009 Juan Martin del Potro caiu na segunda ronda aos pés de Lleyton Hewitt. O australiano, também ele vencedor em Flushing Meadows há doze anos, para mim não é uma surpresa quando chega à segunda semana de um Major (mesmo considerando o seu ranking fora do top-200); os grandes campeões têm sempre esta capacidade de sobressair nos grandes eventos, e é exatamente isso que ele continua a fazer a espaços.

Antes de passar às finais, quero referir ainda a prestação de Roger Federer. De facto o suiço, o meu jogador preferido antes de começar a ver ténis mais a fundo e começar a torcer pelo Nole, parece estar definitivamente na curva descendente conforme referi no último post... Este foi o primeiro ano, desde 2002, que Federer não chegou à final de qualquer torneio do Grand Slam; além disto, o suiço já havia visto o seu recorde de 36 quartos-de-final consecutivos em eventos desta categoria ter sido quebrado em Wimbledon e não foi capaz de voltar a esta fase de um Major agora em Flushing Meadows. As ATP World Tour Finals ainda não estão asseguradas para o agora nº6 mundial, apesar de eu achar que ele conseguirá naturalmente a qualficação, mas mesmo que ganhe agora tudo até final da temporada, este ano será sempre um dos piores anos da carreira do recordista de vitórias em eventos do Grand Slam desde que chegou à ribalta.

Finalmente, as finais. Não me quero alongar muito que já estou cansado, e além disso ambas tiveram o desfecho que eu não queria. No entanto, se é verdade que a Serena Williams é indiscutivelmente a melhor tenista do mundo (a Azarenka é, para mim, a única que lhe faz frente mas quando ambas estão ao seu melhor nível a vitória dificilmente não deixará de sorrir à norte-americana), já a nova derrota do Nole na final do US Open - e após Wimbledon, há dois meses - volta a não ser muito fácil de digerir.
Não tenho dúvidas que o tenista em melhor forma neste momento é o Rafael Nadal, que logicamente vai acabar a temporada como número um mundial. Porém, isso também se deve a (muito) demérito dos outros tenistas, principalmente o Nole; começa a ser repetitivo o bloqueio que ele parece ter depois do Open da Austrália, já que, à semelhança da temporada passada, ele volta a perder a final de dois Majors após vencer o primeiro torneio do Grand Slam do ano em Janeiro. Não me parece que ele fique muito afetado, ou pelo menos deprimido de certo modo, pois parece claro que o seu grande objetivo de carreira é a vitória em Roland Garros (tal como ele admitiu que a derrota na edição passada do Open de França foi muito difícil de ultrapassar); agora, um número um mundial não pode facilitar como facilitou no terceiro set da final deste ano! Se calhar eu é que sou muito exigente com ele desde o grande ano de 2011, e é claro que o Nole não pode ganhar sempre contra o Nadal (ter-lhe ganho em Monte Carlo este ano foi um feito ímpar!), mas esperava um pouco mais... Enfim, há ainda mais dois eventos Masters 1000 e o Masters para defender/ganhar.

E é tudo. Espero que ainda alguém tenha lido isto.
Um bem-haja,
Pedro Mendes

domingo, 7 de julho de 2013

Wimbledon 2013

Chegou ao fim mais uma edição do torneio de Wimbledon, possivelmente uma das edição com mais surpresas e resultados inesperados de sempre! Se no quadro masculino a final até acabou por ser disputada entre os dois primeiros cabeças-de-série, já no quadro feminino o máximo que uma top-10 fez foi chegar às meias-finais apenas.

Para começar, logo na terça-feira Rafael Nadal foi eliminado. O espanhol regressou à competição no princípio de Fevereiro e desde então chegou pelo menos à final de todos os torneios que havia disputado, tendo defendido quase todos os pontos que tinha a defender - a exceção foi Monte Carlo, onde perdeu na final que havia ganho nos oito anos anteriores - e ainda pontuando em Indian Wells e Madrid, entre outros. Depois de mais uma vitória em Paris, o maiorquino chegou a Wimbledon para "defender" a segunda ronda de 2012 (o seu último jogo do ano após se ter lesionado) e... conseguiu perder pontos, tendo caído na primeira ronda para Steven Darcis!

Mas calma, isto não foi nada (ou pelo menos, relativamente). No dia seguinte, no início da 2ª ronda, entraram em court tenistas como Lleyton Hewitt, Roger Federer, Ana Ivanovic, Jelena Jankovic, Caroline Wozniacki, Victoria Azarenka e Maria Sharapova - sim, todos antigos líderes do ranking mundial. E, com a desistência de Azarenka pelo meio após ter caído na primeira ronda contra a nossa Maria João Koehler, todos eles caíram fora da competição!
Os maiores destaques vão, logicamente, para as eliminações de Maria Sharapova e Roger Federer. A primeira foi, como se sabe, eliminada pela nossa Michelle Brito em sets diretos, que protagonizou assim a maior vitória de sempre do ténis português! Pessoalmente não acho que esse seja o maior feito do ténis nacional - iguala, logicamente, a chegada da própria à 3ª ronda de Roland Garros e do Frederico Gil a essa mesma fase no Open da Austrália do ano passado mas penso que a final do Gil no Portugal Open foi algo superior - mas foi sem dúvida um dos grandes momentos do nosso ténis e que, esperemos, catapulte a Michelle para o nível que "merece".
Depois, houve ainda a eliminação do Roger Federer; o hepta-campeão de Wimbledon (e que era o atual campeão) pôs fim a uma série de mais de 30 (trinta) quartos-de-final consecutivos em Majors ao cair na 2ª ronda para o ucraniano Sergiy Stakhovsky, um tenista que nunca foi sequer top-30. Isto começa a ser um cliché, mas penso que é mesmo este o sinal da queda do suiço; com apenas um título este ano e agora com o fim de mais um recorde, além da confirmação de Andy Murray como regular vencedor - ou pelo menos regular finalista - de torneios do Grand Slam, penso mesmo que o recordista de vitórias em Majors se irá ficar pelos dezassete... Ou então ele volta a surpreender-nos a todos e ganha de novo um dos quatro.

Passando agora às finais.
A feminina foi disputada entre Marion Bartoli e Sabine Lisicki, depois de nas meias-finais terem derrotado Kirsten Flipkens e Agnieszka Radwanska respetivamente. De facto, e como a própria disse, a Lisicki teve um caminho muito mais difícil até à final que a Bartoli - basta referir que foi a alemã quem derrotou a Serena nos quartos-de-final. Porém, penso que a vitória da francesa é justa; é certo que não defrontou sequer uma tenista do top-15, mas a Bartoli não perdeu qualquer set e deu um banho de ténis na meia-final e depois na final. Pessoalmente não gosto da estética do jogo dela - nem da estética da cara dela - e acho-a um bocado "estranha", mas ténis é ténis e se a Bartoli foi a melhor então é totalmente merecido e é de se lhe tirar o chapéu; além disto, nenhuma tenista esteve sempre no top-20 nos últimos seis anos sem ser a nº1 francesa.

Já a final masculina que acabou agora, também foi merecidamente ganha. O Djokovic jogou bastante mal e com o público a torcer por ele, o Murray conseguiu finalmente ganhar no All England Club! Fiquei bastante feliz por ele, que penso que já está definitivamente ao nível do resto do Big Four, mas também um bocado chateado pelo Nole; pelo segundo ano consecutivo, ele voltou a quebrar na temporada europeia em termos mentais. Em Roland Garros, teve break acima no quinto set frente ao Nadal na meia-final e agora em Wimbledon também esteve a vencer por 4-2 nos dois últimos sets antes de sofrer uma reviravolta... Não que ele precise de provar ainda alguma coisa a alguém, mas gostava de o ver ganhar outro Major que não o Open da Austrália este ano.

É isto. Um bem-haja,
Pedro Mendes

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Jesus tem de sair

Olhando para o meu último post, é triste ver como as coisas correram exatamente da maneira oposta ao que seria suposto. Mas faz parte do desporto, é assim que são as coisas e se o facto de o Benfica perder tudo fosse o único problema do país, estávamos nós (muito) bem.
Jesus tem de sair. Não importa o que o Vieira disse - mais uma vez, outro acto de má gestão do Orelhas ao anunciar prematuramente a renovação de contrato com o JJ -, mas um treinador que pelo terceiro ano consecutivo é assobiado e criticado no final da temporada não tem condições para continuar.
É que este ano foi diferente. Este ano, estivémos sempre com a equipa. Este ano, jogámos um futebol de topo e merecemos ganhar todos os títulos onde estivémos envolvidos. O problema é que não basta merecer - porque se fosse assim, o Vítor Pereira não tinha o dobro dos títulos de campeão do Jorge Jesus(!).

Fazendo uma retrospeção da temporada que passou, penso que apenas a Liga Europa foi perdida por falta de sorte. Devíamos ter ganho ao Estoril e, mesmo assim, não devíamos ter ido jogar encolhidos ao Dragão - apesar de termos estado quase a conseguir sair de lá com o empate, mas a sorte sorri a quem a procura.
Tudo bem, a equipa perdeu o campeonato e a Liga Europa, mas nós continuámos lá, fomos recebê-los ao aeroporto vindos de Amesterdão e no jogo contra o Moreirense o pessoal apoiou todo os jogadores e mesmo sabendo que não íamos ser campeões o ambiente foi de festa.
Fomos ao Jamor confiantes na vitória que iria dar um merecido título a estes jogadores. Mas aí o caldo entornou-se, e não podia ser de outra maneira! Além de não termos ganho, não jogámos nada de especial - ou pelo menos o que se pedia para uma final deste género - e no final do jogo os insultos por parte dos adeptos foram totalmente justificados (repito, foi o primeiro jogo em mais de cinquenta onde não estivémos do lado deles).

Se foi uma temporada positiva? Continuo a achar que foi, afinal vencemos quase quarenta jogos, estivémos em grande quer em Portugal quer na Europa. O problema é que essas quarenta vitórias deram-nos tantos títulos como o Sporting, e isto é triste de se dizer - não por ser o Sporting, atenção, mas por ser um clube que em Janeiro já não tinha hipóteses de ganhar o que quer que fosse. Agora, esta frustação de final de temporada é que não pode voltar a acontecer e algo tem de mudar.
Porque se pensarmos bem, no que é que podemos melhorar? Fomos quase perfeitos em 95% da temporada e mesmo assim não ganhámos nada... O que tem de mudar é a basófia, quer dos dirigentes quer de muitos adeptos. E infelizmente isso tem de significar a saída de Jesus, que apesar de na minha opinião não ser o maior culpado, continua ano após ano a cometer sempre os mesmos erros (mesmo apesar de melhorar, e muito) e podem dizer o que quiserem, que estamos melhor com ele do que antes dele, mas um título em quatro anos é pouco para um clube que venceu trinta e um em cem anos.

Antes de terminar, ainda uma reflexão sobre o novo-rico Mónaco. De facto viver-se no principado deve ser o sonho de qualquer pessoa, pelo ambiente e pela localização geográfica da zona mas principalmente pelas condições fiscais aí impostas - o que levará sempre a uma concorrência desleal com o resto dos clubes da Ligue 1 à exceção do PSG. Mas não nos podemos esquecer que o Mónaco subiu este ano de volta à primeira divisão, ou seja, não vai à Europa para o ano! Por que razão é que jogadores como Falcão e João Moutinho (também James e Coentrão, mas estes dois sempre são mais novos e ainda têm pelo menos mais 7-8 anos na alta roda do futebol mundial) assinam/vão assinar por este clube? Por dinheiro? Percebe-se que assim seja, mas "fica mal" a jogadores como o Falcão andarem a dizer que querem jogar na Liga dos Campeões e, sempre que sai de um clube, ir para cada vez mais longe desse objetivo.
Ah, e isto para não falar mais concretamente da transferência do Moutinho. Se de um pacote de €70M, 25M são do português e 45M são do colombiano há de certeza alguma coisa errada aí... O Porto pode dizer o que quiser, que o Sporting continua a ter lucrado mais com o Moutinho do que eles, que venderam uma maçã podre por muito dinheiro, mas o que é certo é que um dos melhores médios da Europa nunca poderá valer quase metade do valor de um extremo que, apesar de prometer muito, ainda não está ao nível dos melhores do Mundo. Mas de que serve esta reflexão, se os sportinguistas vão continuar a lamber as botas ao Pinto da Costa...

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Benfica e Bayern

Nesta temporada que está a terminar, dois clubes partem para o último mês de competição com a hipótese de fazerem o chamado triplete: o Bayern de Munique, depois de ser campeão alemão, está ainda na final da Taça da Alemanha e da Liga dos Campeões enquanto que o "nosso" Benfica está na final da Taça de Portugal e da Liga Europa e a apenas seis pontos se sagrar campeão (quatro, caso não percamos no Dragão). Nada de surpreendente, visto serem na minha opinião as duas equipas que melhor futebol praticaram em 2012/2013.

Sim, é verdade que eu sou benfiquista e isto pode estar a soar um pouco parcial. Mas acredito mesmo nisto, e as estatísticas suportam-me: afinal, em cinquenta jogos até agora só perdemos três e vencemos quase quarenta. Já quanto ao Bayern, basta vê-los jogar (especialmente na recente meia-final contra o Barcelona) para perceber que são perto de invencíveis neste momento. Também temos o Manchester United, a Juventus, o Barcelona que são campeões nos seus países (ou quase) e que têm dos melhores jogadores do mundo, mas que penso que o nível de jogo apresentado por eles ao longo da temporada não foi tão consistente assim para os pôr ao mesmo nível que o Bayern.

Começando por nós. Estamos bem, estamos na final da Liga Europa, da Taça e estamos a duas vitórias em casa de sermos campeões.
Pessoalmente acho que termos ido para o Marquês de Pombal festejar a chegada à final da Liga Europa é um bocado precipitado. Sim, é um facto que há mais de vinte anos que não chegávamos a uma final europeia, mas as finais são para ganhar e penso que só aí é que valerá (sim, valerá!) a pena festejar. Até lá, temos de nos concentrar essencialmente no campeonato e nada mais.
Depois, critico fortemente a conferência de imprensa do João Gabriel na última terça-feira. A dois dias de um dos encontros da época, o nosso diretor de comunicação vem "responder" à campanha de que temos sido alvo nos últimos dias de difamação e tentativa de manipulação da opinião pública acerca da arbitragem nos nossos jogos (espero não ter soado muito fanático). Sim, é um facto que Pinto da Costa e Vítor Pereira têm atingido níveis de hipocrisia enormes. Sim, é um facto que o Porto ainda não teve nenhum penalty contra nesta temporada. E sim, é um facto que o golo do Rojo no último jogo do Sporting no último jogo foi em fora-de-jogo.
Mas havia mesmo necessidade deste espetáculo? Temos de ser superiores a isso como temos sido ao longo da temporada, e se for para marcar conferências deste género que seja no final da temporada quando tivermos os três canecos connosco; além do mais, qual é a necessidade de atacar o Record? Eu pessoalmente acho-o o jornal mais imparcial de todos; O Jogo é totalmente azul, e A Bola, vamos admitir, a guiarmo-nos por ela temos um plantel do Benfica com 100 jogadores todas as temporadas...
Depois, concordo com este anúncio da renovação do Jorge Jesus. Acho que podíamos esperar pelo final da temporada para o anunciar, mesmo que assim informalmente, mas por outro lado é sempre bom um treinador ver o trabalho reconhecido.

Passando agora à época do Bayern, penso que não há muito a dizer que ainda não tenha sido dito. Campeões com 20 pontos de avanço, vencem o Barcelona por um resultado agregado de 7-0 (sim, o mesmo Barcelona do tikitaka) e estão na final da Liga dos Campeões pelo segundo ano consecutivo.
É uma surpresa para mim ver o Bayern ainda mais forte e com mais chances de vencer a Champions este ano que na temporada passada. Pensava mesmo que, não tendo vencido em casa frente a um banal Chelsea em 2012, tinham perdido uma oportunidade de ouro de ganhar a competição após dez anos mas parece que recuperaram bem e estão mais fortes do que nunca para, depois de uma temporada onde perderam tudo, ganharem tudo este ano e a jogarem um futebol lindo de se ver. Estava pelo Real do Mourinho, mas pensando bem ainda bem que eles não chegaram à final... O Mou ia levar uma lição de bola do Heynckes, temo. Não digo que o paradigma já tenha mudado, pois não acho que o Bayern tenha equipa para estar tanto tempo no topo do mundo como o Barcelona do Guardiola esteve, mas este ano é tudo deles... e o Barça, apesar de tudo, já não é mesmo o que era.

E é tudo o que tenho a dizer, ou pelo menos não me lembro de mais nada... Ah, viva o Benfica!
Pedro Mendes

domingo, 21 de abril de 2013

O fim de um reinado

Agora com a faculdade mal tenho tempo de vir aqui escrever, mas hoje depois de ver a final de Monte Carlo lembrei-me que costumo fazer sempre um post sobre este torneio que abre a temporada de terra batida.

Para ser honesto, nunca pensei que o Nadal fosse perder em Monte Carlo. O ano passado estava confiante nisso, pois o Nole andava a ganhar ao maiorquino em todo e qualquer piso desde o início de 2011 e portanto seria mais uma vitória em finais; porém, o Nadal fez o octo, embalando para mais uma grande temporada em terra batida - e vencendo pelo meio o Nole em Roma e Paris -, o que me fez pensar que nunca na vida iria aí perder. E este ano já me estava a preparar para o ena-campeonato e mais um recorde (o de primeiro tenista a vencer um torneio por nove ocasiões); afinal o Djokovic ia lesionado - ou dizia-se - e se o Nadal vence em Indian Wells depois de quase um ano sem pisar um hardcourt, vencer num torneio onde ganha desde que me lembro de ténis não seria nada demais... Mas afinal, é ténis. O que hoje é amanhã pode não ser.

Foi uma final disputada. Ambos entraram nervosos mas o Djokovic conseguiu lidar melhor desde o início com um possível menor favoritismo e com uma incomum inconsistência do Nadal neste piso para se adiantar rapidamente a 5-0! O antigo nº1 mundial ainda recuperou para 2-5 e salvou sete set-points antes de cometer... uma dupla-falta. Foi uma perda de set inglória, mas não deixou de ser justa pelo que cada um fez nesse primeiro parcial.
Na segunda partida, Nadal entrou mais determinado e quebrou no quinto jogo. Foi uma boa reação, mas o Nole conseguiu recuperar o break dois jogos depois e adiantar-se a 5-4 ficando a apenas um jogo da vitória. Aí, outra vez a garra do King On Clay que o levou a quebrar Djokovic no 5-5 e a servir para fechar... antes de ser quebrado. O set culminou num tie-break, onde eu pensei que o Nadal seria mais uma vez arrasador como costuma ser, mas não: 7-1 para Novak Djokovic, 6-2 7-6(1) final e primeiro título de Djokovic no principado do Mónaco, 37º da carreira.

E bem, o número um mundial tornou-se no primeiro tenista de sempre a ganhar ao Nadal em três finais diferentes em terra batida. Tornou-se ainda no primeiro a derrotá-lo em Monte Carlo desde 2003. Esta vitória pode perfeitamente embalá-lo para uma grande temporada de "clay" - no ano passado penso que foi a derrota nesta final que levou à perda do seu domínio quase incondicional sobre Nadal, pelo que pode ter o efeito contrário este ano (ou pelo menos, desmotivar um bocado o maiorquino que volta a defender quase tudo nos próximos dois meses e é de acreditar que o consiga fazer em condições normais). Uma coisa é certa: vamos ter ténis!

Agora, como não podia deixar de ser, o meu comentário ao derby logo. Começando pelas estatísticas: o Sporting não ganha na Luz desde 2005/06, não marca desde 2006/07 e não pontua desde 2007/08. Claro que algum dia isto irá acabar, mas não me parece que seja este ano com esta equipa do Sporting que está motivada, sim, mas contra uma equipa que só perdeu duas vezes este ano - aliás, desde que eu sou maior de idade que o Benfica não perde - penso que as hipóteses são reduzidas. Aposto num 3-0 caso marquemos primeiro, 2-1 caso comecem eles a meter a bola na baliza.

sábado, 2 de março de 2013

Que se lixe a troika

Parece que tem hoje lugar mais uma manifestação contra as medidas de austeridade, a troika, o governo, a educação e todos os motivos que os manifestantes arranjem para protestar nas ruas. E aqui estou eu, em frente ao computador, com a televisão ligada e a pensar no sentido que isto faz.
Okay, por acaso no momento em que estou a escrever isto estou mais a pensar no que vou lanchar mas como se tem falado nisto ao longo do dia decidi escrever qualquer coisa, já que também não tenho publicado desde Janeiro.

Em primeiro lugar, eu não sou contra o protesto; até sou a favor. Como diria o filósofo francês Albert Camus - alguma coisa tem de ficar na cabeça após ter tido dois anos de Filosofia -, a revolta é uma necessidade do ser humano, que é naturalmente revoltado com o que não lhe agrada e que portanto tem o direito (e dever, talvez, de se revoltar). Eu pessoalmente defendo isso, que nos devemos revoltar, mas temos de saber o que estamos a dizer e a fazer.

Queremos mandar o governo abaixo. Certo, o governo cai... e depois? Nós somos um eleitorado muito fácil de convencer: votamos em quem prometer que nos dará dinheiro, ou pelo menos que não nos tirará.
É sempre isto que acontece nas eleições. Claro que os políticos têm culpa em prometer o que não vão cumprir, mas eles fazem isso porque sabem que se falarem "verdade" ninguém vota neles; alguma vez elegiríamos para primeiro-ministro um homem que dissesse que a austeridade ia continuar e talvez até aumentar? Claro que não! Por isso é que aquele banana do António José Seguro veio hoje dizer que os portugueses "têm direito a estarem indignados". Porque se fosse com ele no governo, não haveria austeridade e estaríamos todos ricos não é?

Há bocado vi também um rapazinho a dizer "temos de vir para a rua protestar para que a troika se vá embora". E depois de a troika se ir embora, como os teus pais te disseram que é o melhor que pode acontecer ao país, quem é que paga a dívida? Vais tu ao Monopólio buscar notas de 500 para pagar?
Repito, também estou descontente com o facto de sermos nós que estamos a pagar uma crise pela qual não somos responsáveis e termos cada vez menos dinheiro. Porém, temos de tentar olhar imparcialmente para o que se passa e tentar perceber o que se deve fazer!

É um facto que andámos a viver acima das nossas possibilidades; sim, os outros países também mas não são esses países que têm de resolver o nosso problema - nem a Alemanha, que nós gostamos tanto de dizer que são a fonte de todo o mal mas eles estão a perder dinheiro connosco e quando entrámos para a UE estava no Tratado uma cláusula que dizia que nenhum país era responsável pela dívida dos outros. Portanto, somos nós que temos de pagar isto; quando digo nós não me refiro especificamente a nós, contribuintes.
São os bancos e os políticos corruptos que temos que são os principais responsáveis e devem ser punidos pelos seus actos, mas nós também teremos sempre que pagar pois o povo é a maior classe social do país. Daí não me opor contra a perda do 13º e 14º mês. Vou ser sincero: ficava chateado se me cortassem esses dois subsídios, claro que ficava. Mas se pensarmos bem, é injusto recebermos "apenas" doze ordenados por doze meses de trabalho? Se trabalhamos para x, recebemos x! Em tempos de crise penso que ter um subsídio já é de certo modo descabido, então ter dois é mesmo um gasto de dinheiro dispensável.

Depois, sempre que vejo alguém a entrevistar um manifestante e lhe pergunta em quais seriam as soluções que tanto proclamam, as respostas são sempre as mesmas: "o governo é que sabe", "não sei, mas de certeza que há", "qualquer coisa seria melhor do que isto". Basicamente, protestamos por mudanças que nem sequer sabemos conjeturar? Onde está aqui a coerência que pedimos aos nossos políticos?
É que não há solução. Fizémos merda, entrámos em crise, e saíremos com muito sacrifício. Se o sacrifício não tem de cair quase totalmente no povo? Obviamente que não, eu próprio também estou descontente. Mas cairá sempre sobre nós, e temos de entender isso.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Australian Open 2013


Acabou hoje a 101ª edição do Open da Austrália, o primeiro torneio do Grand Slam da temporada. Não tive muito tempo para acompanhar o torneio como gostaria devido aos exames, mas fui seguindo os resultados e os tenistas e penso que é altura para um balanço geral do Happy Slam.

No quadro feminino, houve uma "quase-confirmação" do potencial de algumas tenistas da nova geração, casos da britânica Laura Robson e da norte-americana Sloane Stephens. A primeira derrotou a antiga nº2 mundial Petra Kvitova num grande encontro de ténis, acabando por cair na ronda seguinte para Stephens - possivelmente a grande revelação em Melbourne; a norte-americana, já indicada pelos sensacionalistas norte-americanos como a sucessora de Serena Williams, derrotou nos quartos-de-final esta mesma Serena em três duras partidas e avançou para as meias-finais da competição onde só perdeu para a futura campeã Victoria Azarenka. Talvez seja um bocado cedo eleger Stephens como a nova Serena Williams, considerando a fasquia elevadíssima que Serena deixou (e ainda está a deixar); porém, a jovem tem muita garra e força de vontade e a sua vitória frente ao seu ídolo de infância nos quartos-de-final que vinha dominando o circuito a seu bel-prazer desde Wimbledon'2012 pode significar muita coisa...

Quanto à final em si, como já disse, foi ganha por Azarenka. Foi um encontro muito aberto, mas no final a vitória sorriu à bielorrussa que assim repete o triunfo de 2012 e se mantém no topo do ranking mundial.
Enquanto toda a gente já apostava numa reedição da final do ano passado, Maria Sharapova vs Victoria Azarenka, eu já estava a pensar que Li é que seria a adversária da Vika. A Masha chegou às meias-finais tendo cedido apenas 9 jogos (recorde!), significando isso que ainda não tinha sido testada... Contra uma Li Na motivada por ter vencido a Agnieszka Radwanska na ronda anterior e a jogar quase em casa, não deixou de ser surpreendente mas de certo modo também previsível que a chinesa chegasse à sua 2ª final em Melbourne em três anos. Já Azarenka tinha sido obrigada a 3 sets contra a norte-americana Jamie Hampton nas rondas iniciais e havia vencido Stephens na meia-final.
Não vi a final porque estava a dormir a essa hora, mas dos resumos que vi pareceu que a Vika ganhou com muito esforço, sim, mas também alguma sorte. Li venceu o primeiro set e no segundo parcial, mais equilibrado, caiu uma vez e voltou a cair de novo na derradeira partida; não tem necessariamente algo que ver mas ela já fez saber que se ficou a sentir mal e debilitada nessas quedas... Bem, no final o que importou foi o que o choro de Azarenka foi de alegria e não de tristeza, e mantemos a mesma número 1 mundial!

Já na competição masculina, houve lugar para grandes encontros de ténis. A começar na primeira ronda com um embate entre os jovens "aussies" James Duckworth e Benjamin Mitchell (entre muitos outros tambem à melhor de cinco sets), sendo que este Duckworth viria a jogar mais cinco sets na ronda seguinte contra o eslovaco Blaz Kavcic mas dessa feita iria perder. Encontros como Jeremy Chardy vs Juan Martin del Potro (palco da primeira grande surpresa do Open com a eliminação da Torre de Tandil), Gäel Monfils vs Gilles Simon (um dos muitos duelos entre franceses), Stanislas Wawrinka vs Novak Djokovic (possivelmente o encontro do torneio, onde Nole esteve a perder 1-6 2-5 para ainda dar a volta em cinco horas de jogo), Roger Federer vs Jo-Wilfried Tsonga (duelo dos quartos-de-final), a segunda meia-final entre Roger Federer e Andy Murray (onde Murray só conseguiu finalmente vencer o encontro no quinto set, pois sempre que vencia uma partida a seguinte era "resgatada" pelo suiço no tie-break)... Houveram muitos mais que agora não me lembro, mas estes que enunciei foram para mim os mais espetaculares.

A final já não foi assim tão espetacular, na minha opinião pessoal. Andy Murray e Novak Djokovic repetiam a final de 2011, e foi um encontro demasiado cirúrgico - pelo menos em comparação com a final do ano passado. Murray começou por vencer o primeiro set no tie-break, depois o segundo parcial caiu para Djokovic também num 13º jogo e a 4-3 da terceira partida acontece a primeira(!) quebra de serviço do encontro inteiro e o Nole encaminhou-se para um triunfo mais ou menos seguro em quatro sets, por 6-7 7-6 6-3 6-2. Com este triunfo, Novak Djokovic tornou-se no primeiro tenista na Era Open a vencer por três vezes consecutivas o Happy Slam.

Como disse, e bem, o Miguel Seabra no Eurosport, esta dictomia Djokovic-Murray nos grandes eventos - caso se confirme mesmo como uma dictomia, o que duvido pois Rafael Nadal está perto de voltar ao circuito e Roger Federer ainda lá está - tem potencial de não ser tão interessante como um encontro Nadal-Djokovic ou Nadal-Federer. O espanhol é um jogador único no circuito, e a oposição de estilos quando defronta qualquer outro membro do top-4 é um dos grandes fatores de interesse do circuito ATP atual. Claro que Djokovic e Murray são os dois grandes jogadores, mas têm estilos de jogos semelhantes e eventualmente o Nole irá dominar o Andy na maioria dos torneios; já frente a Nadal não é bem assim, pois são jogadores distintos - e a temporada de 2011 não se volta a repetir...

E é esta a minha revisão final do Open da Austrália. Espero que tenham gostado e deixem o vosso feedback!

Cumprimentos
Pedro Mendes

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Atualidade futebolística


Têm acontecido muitas coisas no "Planeta Futebol" nas últimas semanas, desde treinadores contratados a transferências de jogadores, passando pelo início da Taça das Nações Africanas durante este mês.

Começando pela contratação de Pep Guardiola pelo Bayern Munique: o presidente Karl-Heinz Rummeninge anunciou na semana passada que em Julho o antigo treinador do Barcelona tomaria conta da equipa, passando a ser o treinador mais bem pago do mundo.
Em primeiro lugar, penso que o timing não foi o mais adequado. O Bayern está neste momento envolvido em todas as competições, liderando o campeonato com uma vantagem confortável - mas ainda é matematicamente possível perdê-lo - e este anúncio pode eventualmente destabilizar a equipa devido ao mediatismo todo que havia em volta do novo clube de um dos melhores treinadores do século.
Esta destabilização começa logo a partir do atual treinador, o alemão Jupp Heynckes; não é muito cordial anunciar a sua saída no final da temporada em Janeiro, ainda para mais quando o próprio veio depois mostrar alguma insatisfação ao dizer que queria ter sido ele a fazer esse anúncio. O Heynckes (antigo internacional alemão) pode não ser o melhor treinador do mundo - no Benfica e no Real Madrid não fez nada de especial e na temporada passada ficou em 2º no campeonato e perdeu as finais da Liga dos Campeões e da Taça da Alemanha -, mas pelo menos nesta temporada está a fazer um bom trabalho e merecia mais consideração, penso eu.

Quanto à entrada de Guardiola em Munique, penso que tem potencial para ser uma boa escolha. Claro que haverá sempre quem diga que "ele só pode provar que é um grande treinador se treinar na melhor liga do mundo", mas isso é conversa da treta de quem só conhece o José Mourinho. Treinadores consagrados como Giovanni Trapattoni, Fabio Capello, Vicente del Bosque, Louis van Gaal e muitos mais nunca treinaram na Premiership - além de que isso é estar a denegrir a Bundesliga e o Bayern, um dos melhores clubes da história do futebol mundial. Penso que a estrutura do Bayern se adequa à metodologia de trabalho do Pep, assente no aproveitamento dos jovens da cantera e de jogadores nacionais, e com uma ou outra contratação o clube será um crónico candidato (desta vez, real) a vencer a Liga dos Campeões nos próximos anos.

Depois, vou ainda falar deste fenómeno que está a dar cabo do futebol: a saída dos jogadores para campeonatos menos reputados. Não, não estou a falar da saída de Alexandre Pato para o Corinthians - apesar de achar que não é um passo em frente na carreira, ele ainda é jovem e certamente voltará à Europa - mas sim, por exemplo, da ida do Ricardo Quaresma para o Al Ahli e da mais que provável saída do Pablo Aimar para o mesmo clube, além da contratação de Djibril Cissé por parte do Al-Garrafha...
Quanto ao El Mago, admito que nesta fase da carreira "merece" um grande contrato e já não nos faz a falta que fazia há uns anos... Agora o Quaresma vai estragar (ainda mais) a sua carreira, e a mesma coisa para o Cissé - que prometia imenso mas que desde que saiu do Liverpool nunca se fixou em nenhum clube como deve ser.
Além disto, há também a saída de Emiliano Insúa para o Grémio. É incrível como pensamos que o Sporting já fez tudo o que podia fazer de mal e depois eles mostram que ainda é possível fazer pior... Vender o lateral esquerdo titular, um dos melhores jogadores da equipa, por menos de 3 MILHÕES de euros para um clube brasileiro?! Parece estar tudo a querer sair de Alvalade, o que, falando sinceramente, é triste. Se calhar o próximo negócio iluminado será a venda de Rui Patrício por 5M para o Boca Juniores...

A CAN já aí está. Normalmente realiza-se de dois em dois anos - eles nunca se entenderam sobre a organização do evento muito bem, para dizer a verdade -, mas este ano há outra edição para se passar a disputar em anos ímpares e assim evitar ser realizada em ano de Mundial.
Os principais candidatos serão o Gana e a Costa do Marfim, penso eu. O Egipto voltou a ficar de fora, após terem sido tri-campeões, e os Camarões também foram eliminados. A Costa do Marfim é sempre candidata, para dizer a verdade, mas nunca ganha porque as suas vedetas preocupam-se mais com o seu ego do que com o jogo em equipa; daí as últimas quatro edições terem sido ganhas pelo Egipto (3x) e depois pela Zâmbia no ano passado... frente aos costa-marfinenses.
No fundo, o que importa na CAN nem é tanto o vencedor mas o ambiente. Os africanos são únicos num estádio de futebol, levam uma alegria incomparável mesmo estando o seu país em guerra (em muitos casos) ou mesmo sabendo que a sua seleção não joga muito. O futebol é uma das poucas coisas que une África.

Cumprimentos,
Pedro Mendes

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A Lista de Schindler

A Lista de Schindler, um filme de 1993 - mais velho do que eu - realizado por Steven Spielberg, é um filme demasiado conhecido para eu estar a descrevê-lo. Não é que não tenha interesse mas de certeza que há montes de resumos do filme online, além de que honestamente não me apetece contar a história de um filme de mais de três horas.

Depois do exame de Programação I, aquela cadeira onde andei o semestre inteiro a ver passar e agora decidi aplicar-me e descobri que afinal até percebo disto, vim para casa pensar em talvez dormir e depois ficar no pc a ver um filme - e estudar à noite, coisa que duvido que ainda faça hoje pois estou com poucas horas de sono em cima mesmo. Por acaso vi escrito o nome deste filme e, como já tinha ouvido falar, fui vê-lo; três horas é imenso mas pensei, "ehh para ter 8,9 no Imdb é porque vale a pena".

Bem, chega de conversa de treta - que não é treta, é bastante interessante para a minha mãe por exemplo. Basicamente o filme conta a história de Oskar Schindler, um oficial alemão do Partido Nazi que inicialmente queria fazer dinheiro numa fábrica à custa do trabalho dos judeus que iriam, eventualmente, para campos de concentração. Eles acabariam por ser levados para esses campos, em Plaszow (Polónia), até que um dia os nazis decidem fechar o gueto judeu nessa cidade polaca e levar os que não conseguissem matar - infelizmente, é esta a expressão mais adequada - para um campo de trabalhos forçados.
Ao ver esta situação, Schindler entra em contacto com Amon Göth - um dos oficiais nazis mais desumanos que tomava conta do campo e que tinha como hobby apontar a judeus desde a sua janela e espetar-lhes uma bala na cabeça - e quando Hitler ordena que esses judeus sejam levados para Awschwitz Schindler interfere para que venham para a sua fábrica na sua Checoslováquia natal e assim salva a vida a cerca de 1100 almas.

Basicamente é esta a história, não vou entrar em mais detalhe pois fiz este post para focar mais o contexto histórico do filme do que o seu enredo - que no fundo é inspirado no Holocausto, mas não tem a mesma verosimilidade.
Não percebo qual a legitimidade dos nazis (não lhes chamo alemães, pois o povo não tem culpa) para acharem que podem exterminar a raça judia. Ao ver o filme pensava "mas porquê? O que é que os judeus têm a menos que estes filhos de uma senhora cuja atividade profissional é isenta de impostos? Porque razão não estão os nazis no lugar dos judeus?".
De facto é essa a questão. Penso que é impossível compreender a cabeça do Hitler, eu já tentei ler o Mein Kampf mas achei inútil e parei. Mas podemos compreender as ações dos seus subordinados; foram os subornos? Foram os altos cargos? O que os fez matar os judeus?
É que os cristãos falam muito nas guerras religiosas dos muçulmanos mas são iguais ou piores. Foi a Inquisição no século XVI e foi o Holocausto que considero ter sido uma guerra religiosa - numa certa perspetiva, claro - contra o povo judeu. Isto, claro, se o leitor não for uma daquelas pessoas acéfalas que nega o Holocausto...

Espero não ofender ninguém com este post, é só a minha opinião.
Cumprimentos,
Pedro Mendes

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

FIFA Ballon D'Or

É hoje a entrega do Prémio de Melhor Jogador do Mundo, entre outros, pela FIFA relativamente ao ano de 2012. Como sempre, muito se fala sobre os possíveis vencedores e como tal também deixo aqui a minha opinião sobre o assunto.

Antes de mais, julgo que o terceiro nomeado devia ser o holandês Robin van Persie. RVP fez uma grande temporada de 2012, tendo sido o melhor marcador da Premiership, saindo depois por muitos milhões de euros para o Manchester United - que, apesar de não ser de todo fã do clube, é um dos melhores do mundo e o provável vencedor do campeonato nesta temporada. De facto, agora que penso nisso, gosto mais do United este ano por causa do van Persie.
Sim, o Iniesta fez uma grande temporada. Mas o que teve de novo este ano exatamente? Foi campeão europeu de seleções, título que já tinha ganho, e julgo que foi mais decisivo no Mundial 2010 do que agora na Polónia e na Ucrânia... Tanto que em 2010 também foi nomeado para o Prémio, obviamente (deixando de fora Wesley Sneijder que para mim era o vencedor, mas isso já lá vai).
Nomes como Zlatan Ibrahimovic, Radamel Falcão, Andrea Pirlo ou mesmo o Neymar também mereceriam estar hoje na Gala da FIFA mas penso que Robin van Persie foi o 3º melhor jogador da temporada na temporada passada.

Passando à atribuição da Bola de Ouro em si; penso que deve ganhar o Cristiano, por uma questão de critérios. Levou o Real Madrid a ganhar o campeonato, algo impensável com um Barcelona desta categoria, além de ter feito um bom Europeu. O Messi foi Bota de Ouro e bateu o recorde de golos num ano? Okay, mas em 2011 o CR7 também foi o melhor marcador na Europa e o prémio foi à mesma para o argentino... Nas últimas duas Bolas de Ouro do Messi, disseram que ele tinha ganho porque o CR7 não tinha ganho nada coletivamente, mesmo tendo ganho uma Bota de Ouro; agora é altura de usar os mesmos argumentos e dar o prémio ao português. Como disse o Mourinho, é impensável o Messi ter quatro e o Ronaldo só ter uma!

Por falar no Mourinho, estou mesmo convicto que o José merece o seu segundo prémio em três anos de Treinador do Ano.
Primeiro, não percebo porque lá está o Guardiola; parece-me mais uma nomeação para "prémio carreira" pois o catalão é indubitavelmente um dos melhores treinadores do século XXI mas não ganhou nada de especial no ano passado e em Maio saiu do Barça. Jurgen Klopp ou Roberto di Matteo merecem muito mais, na minha opinião.
Depois, o Vicente del Bosque merece a nomeação mas tal como no caso do Iniesta, o que é que ele fez de novo? Ganhou o Europeu sim, mas já tinha ganho o Mundial em 2010 e se nessa altura não venceu o Prémio - perdendo para... Mourinho - será nesta temporada que derrota o treinador campeão espanhol?


Eu não defendo os tugas só porque são tugas, como fazem muitos portugueses recorrendo muitas vezes ao fanatismo. Pessoalmente não gosto do Mou e do CR7 como pessoas; porém, são excelentes profissionais e espero que daqui a umas horas tenham os respetivos prémios nas mãos.

Pronto, parece que venceu o Messi e o Del Bosque. Perdeu a piada ver as Galas da FIFA, ganham sempre os mesmos. Não que não mereçam, mas há outros que num ano ou outro podem ter sido melhores mas mesmo assim não chegam lá. Pessoalmente acho que o Mou se está a cagar para isto, agora o Cristiano deve estar bem lixado de novo... Parabéns ao ano dele, acredito que ainda vai ganhar a segunda um dia.


É tudo. Cumprimentos,
Pedro Mendes

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Bom 2013!

Antes de mais, bom 2013 a todos! Podia estar aqui a cair em lugares-comuns - e também a dizer que não vou cair em lugares-comuns para depois acabar por fazê-lo, como vi numa mensagem de Natal que recebi -, mas apenas tenho a dizer para quem ler que hoje é só mais um dia. Não é preciso começar um novo ano para mudarmos a nossa vida, mas se vos faz feliz pensar assim então força; o que conta é a intenção!

Ora bem, estive a pensar sobre o Uspeti e acho que vou mudar o formato do blog neste ano. Quando o criei, a 1 de Julho de 2011, cheguei ao final do ano com cerca de 2000 visualizações de página; neste momento, volvido um ano, o contador de visitas marca pouco mais de 3500 - ou seja, nos primeiros seis meses de vida do Uspeti, tive mais 500 visitas do que nos restantes doze meses.
Assim sendo, estou a pensar em alargá-lo para mais temas; deixará de ser só de ténis e passarei a falar, também, de outros temas que me interessam como a atualidade mundial, críticas a livros que costumo ler, investigações científicas (visto ser a minha área de estudos) e até mesmo outros desportos que sigo com regularidade.

Portanto, é isto que tenho para dizer. Para ser sincero, não me interessa muito ter milhares de visitas aqui no blog; tenho-o mais para escrever o que me apetece, pois normalmente liberto-me e relaxo com a escrita. Mas é claro que gosto que o pessoal siga os meus textos e espero que os achem interessantes.

Já agora, votem na sondagem aqui ao lado sobre a vossa opinião sobre o blog.
Cumprimentos e boas entradas,
Pedro Mendes

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

2012 WTA Season Review

In this Christmas Eve I realized I still didn't write in Uspeti about women's tennis season, so here it goes my brief review - that'll be quite extended, as it always ends up going.


January started with Caroline Wozniacki  in the top-ranking for the second year in a row, and many tennis experts were predicting the nearly unavoidable rising of Petra Kvitova to the #1. 
However, Wozniacki did lose the first place but for the Belorussian Victoria Azarenka; by starting the year winning in Sidney, Vika moved next week to Melbourne where she clinched her first Grand Slam title and her move for the top-ranking for the first time by crashing Maria Sharapova 6-3 6-0 in the finals. The 23 year-old would continue her winning streak taking Doha and Indian Wells title in the following weeks, right before falling to Marion Bartoli in Sony Ericsson Open, on late March.



On clay court season, the season's GOAT remained in Eastern Europe but it was time for an ex top-ranked to be back on great titles. Maria Sharapova started the mini-season by defeating the #1 Victoria Azarenka in Stuttgart's final, and then lost in Madrid's blue clay for the eventual champion Serena Williams before taking the Internazionali BNL D'Italia in Rome next week, on red clay again.
Masha would reach Roland Garros with zero losses on "common" clay and with Serena's astonishing loss in Paris' first round, the only player who defeated the Russian in 2012 clay season, Sharapova had her way open for reaching her first final of the French Open. There, she defeated the surprisingly Italian Sara Errani to complete her Career Slam - becoming the first player in Open Era to have a Career Slam with only 4 Major titles - and being back to #1 four years later.

Next week in Wimbledon, both Azarenka and Sharapova had high expectations for winning their second Grand Slam title of the season but it was said Serena Williams was working hard after her loss in French Open 1st round four weeks later; it was time to check her out, and we can in this season review define a 2012 season before and after Serena.
It wasn't easy for Serena to win her seventh title in All England Club. She had to turn up her 3rd round match versus the Chinese Jie Zheng after losing the first set in tie-break and then finally taking the third one only after sixteen games. She'd lose another set on next round vs Shevdova, and after defeating Azarenka in two sets nearly nobody doubted Serena would really be back to great tournaments and it became clearer with Sharapova's loss vs Sabine Lisiciki in 3rd round.
In the final, Serena would have to face one of the toughest players on the circuit when at its best: Agnieszka Radwanska. The Polish have reached Wimbledon with only four matches lost for players not named Victoria Azarenka, and she was able to win a set in Wimby's final. However, in the decisive, Serena proved her shape improvement by losing only two games (after dropping one in the opening set and seven in the following one) and won her 7th Wimbledon title, exactly two years after her last Slam title. For Radwanska, it meant her rising for the 2nd place - a victory would have put her in the top-ranking. And after Sharapova's loss, Azarenka was back for the first place and she would not lose it again in 2012.

In late July, three weeks after Wimbledon's tournament, it was time for the Olympics. The tennis world already knew Serena was close of her best shape, but I don't think anyone predicted what happened in London'2012: the North-american defeated four ex/current world top-ranked players - Jankovic, Wozniacki, Azarenka, Sharapova lost to Serena, joining Urszula Radwanska and the ex-number 2 Vera Zvonareva -, dropping only 17 games in the whole tournament (less than 3 per match!) to win her first Gold medal in singles and becoming the first player ever to complete the Golden Slam in both singles and doubles. Sharapova left London with the Silver Medal after winning just one game(!) in the final match, completing her Silver Slam, and Azarenka won the Bronze after taking the Gold in mixed pairs.

On August, we were back to the United States for the US Open Series. The Rogers Cup was won by Petra Kvitova and next week on Cincinnati it was Li Na's time for winning her first WTA title since last year's victory in Paris. Kvitova would win her second title of a disappointing season in New Haven the week before US Open, and then it was time for the last Major of the season.
Some people were asking themselves about Serena's shape after the Olympics; she didn't compete in many tours and in Cincinnati she had lost to Angelique Kerber in quarter-finals, her first loss since Roland Garros (and also her last till the end of 2012). Once again, the younger of Williams' sisters proved the world wrong again.
On her road to the final, she just dropped 19 games in six matches, defeating Ana Ivanovic in quarter-finals and then Sara Errani in the semis. The final would be played versus Victoria Azarenka, the world top-ranked; the best possible final, in many's opinions.
Serena started winning the first set by 6-2, right before being surprised by a over-motivated Azarenka who won the next one by the same result. In the decisive, with the crowd on fire cheering for both women, Serena felt the pressure of taking the trophy after last season disappointing loss versus Samantha Stosur in that same stadium; Vika did served it out, but the North-american screamed louder (which is tough as hell!) and clinched her second Major title of the season!

Serena would not compete until Istanbul Championships, two months after. In the meantime, Nadia Petrova would win her first title in season in Tokyo and Azarenka was back on victories by taking Beijing and Linz titles on the following weeks.

In the last week of October, it was time for WTA Championships in Turkey's most important city in Europe. Once again, Serena reached the tournament with many doubts upon her head; she was only seen few days before the tournament and didn't play an official match since Flushing Meadows.
Yup, you guessed it right; the North-american won again the title, this time losing more games than in US Open but without a single set lost. After defeating Azarenka in the first Round Robin match, she'd defeat Maria Sharapova in the final by 6-4 6-3 for elevating her 7th trophy in 2012. For Masha, it meant her third final lost in the past five tournaments, and for Vika the fact she did the semi-finals assured her the top-ranking in the end of the season.

On the next weeks, Czech Republic would win the Fed Cup for the second time in a row and Nadia Petrova won in Sofia the "Masters B", defeating the former #1 Caroline Wozniacki.

That's all. Merry Christmas!
Pedro Mendes

domingo, 9 de dezembro de 2012

2012 ATP Season Review


It's time for reviewing last season's top moments in ATP World Tour. Once again I write these posts in English hoping to get more views, specially on Twitter.

Well, the season started with Novak Djokovic as world's top ranked and the Serbian didn't disappoint in Melbourne on the first Major of the season. By defeating Andy Murray in a five-setter outstanding tennis match in semis and then clashing Rafael Nadal in their third Slam final in a row - this time in five sets, which meant Nole had played 10 sets in about three days to get his second consecutive AO title and third in his career -, Novak "Nole" Djokovic started the year in the best possible shape.

Next, the World Tour moved to USA where the first two Masters 1000 events of the season took place in California (Indian Wells) and Miami. It would be time for players like John Isner to confirm their potential - and eventually reaching the top-10 -, thus reaching the final in the BNP Paribas Open where he'd lose to Roger Federer.
Next week in Miami, the Sony Ericsson Open took place and Djokovic - who had lost his first match of the season in Dubai semis, vs Andy Murray - successfully defended his 2011 title by defeating the British in the final match. Hard-court season was nearly ended and we were back to European clay courts.

Starting in Monte Carlo, Rafael Nadal won this first M1000 event on clay and history was written. The King on Clay became the first player ever winning the same tournament for eight times in a row; personally, it also meant his first win versus Djokovic after seven matches lost in a row. This victory would psychologically mean a lot, as long as it led Nadal to another great clay court season (after losing in Madrid and Rome last year against the world number one). Rafa won again in Barcelona and then in Mutua Madrid Open an awkward tournament took place; the event manager decided to try a different surface, the blue clay, and many players such as Nadal and Djokovic lost early in the draw and created huge controversy about the surface. Roger Federer didn't give a shit about it and ended up defeating Tomas Berdych in the final, winning his second M1000 of the season and the second in Spain's capital after 2009 victory.
Next week, it was time for the Internazionali BNL D'Italia in Rome. The final match was once again between Rafael Nadal and Novak Djokovic, the two top-ranked, and as I mentioned earlier the Spaniard was now a lot more confident than the previous year and defeated Nole to win his third title on clay. Bring us the French Open!

Roland Garros started in late May, and just like in the previous season tennis world was expecting to see if Novak Djokovic already had what's needed to win in Paris.
The point is, he may have. But when you have Rafael Nadal competing in the biggest clay event of the season, you can barely have a chance - Roger Federer won in 2009 not specially due to his clay abilities, although he's also a good clay-court player, but due to Robin Soderling's epic win in 4th round versus an injured Nadal. This year, Nole have finally reached the final but Nadal was on the other side, so... Although I believe that if the rain wouldn't come up to delay the final Djokovic could have done better, the Serb had his chance last year when he was mentally stronger than everyone in every surface but had never challenged Rafa in Paris because Roger Federer showed up in the semis to put Djokovic out of the tournament. That's it, Nadal ends clay court season with four titles, one more than in the previous season, and Djokovic goes to grass with no titles since Miami.

In mini-grass court season, it started with David Nalbandian kicking an umpire's leg to lose a Queen's Club final he was actually taking the lead. At the same time in Halle, Federer reached once again the final but this time Tommy Haas wanted to show the world he was not done yet and defeated the former five-times champ. David Ferrer would also win a tournament during the preparation for Wimbledon, in Den Bosch, his first ever on grass that would make him the ATP player with more singles titles in 2012.
Wimbledon started with a huge upset; in the 2nd round, the two-times champion Rafael Nadal lost in five-sets to Lukas Rosol, exiting a Major tour in the second round for the first time since 2006. This would also mean the last time Nadal would step on a tennis court in 2012, as long as he got injured in his misfortunated knee - the diagnosis would conclude he suffered from Hoffa's Syndrome.
The tournament would obviously go on, providing Andy Murray a great chance for finally reaching the final match in his country's Slam event, and the British did reach the decisive match where he found the six-times former champion Roger Federer that had defeated Djokovic previously in the semis. Murray started to win the first set, his first one in four Major finals, but couldn't avoid Federer's seventh title on Holy Grass. This title, Roger's first Slam since Melbourne'2010, would also mean his comeback to the top-ranking and eventually becoming the player with more weeks spent as #1 ever.

As long as we are in 2012, Olympic Games tennis tournament was a reality and it would take place in the same Wimbledon grass. The final was a rematch of previous month one - Federer reached it by defeating Del Potro in an epic battle with 36 games in the decisive set, and Murray defeated Djokovic by a double 7-5. But this time, Murray gave no chance to the best tennis player ever and just lost seven games to win his most important title ever; for Federer, the chance of getting a Golden Slam ended there - although he says he's thinking in Rio'2016. The Bronze medal came to Del Potro, that was so close of reaching the final but did put his hard feelings away to defeating Djokovic, 2008 Bronze's medallist.

Afterwards, it was time to go back to USA. Toronto and Cincinnati hosted the next two Masters 1000 events of 2012 and as in 2011, Nole reached the final match on both - winning the Rogers Cup, his first title since March, but losing again in the decisive of Western and Southern versus the now and again world number one Roger Federer.
Late August came, and the 2012 US Open edition as well! With Rafael Nadal out of the way, Murray knew he needed to reach the final in order to move to the third place of the ranking. The problem: Roger Federer, five-times champion, was in Murray's half too.
Or at least I thought it was a problem. In the quarters, Federer played Berdych in the quarters on night season where he had never lose a single match but this time it was different and Berdych scheduled a clash versus the Great-Britain #1. Murray defeated the Czech and met the current champion Djokovic in order for fighting for his first Major title after four lost finals.
I wasn't rooting for anyone specially; Nole is my fave but Murray deserved a Slam so bad. He started taking the first two sets, then Nole woke up to tie the clash at 2-2 but a physically clever Andy Murray was ready for playing a decisive set and taking his first Grand Slam tournament ever.

With no more Majors to play, it was time for Asian hard-court season. Many players won titles in the biggest continent in the world but Nole was probably the best one, by winning in Tokyo and then the Masters 1000 of Shanghai - in an epic final where he needed to save 5 match-points versus Andy Murray. The top-ranking was very close of returning again to the Serbian, and it virtually became a reality when Roger Federer didn't successfully defended his home town title - Juan Martin del Potro revenged his loss in the Olympics - and then withdrew from Paris.
Paris, the place of BNP Paribas Masters, the last M1000 event of 2012. With Nadal out of the courts and Federer resting for World Tour Finals, both Djokovic and Murray had her chances of taking the trophy but surprisingly lost in the 1st and 2nd round, respectively - Nole won the first 8 games of his match versus Sam Querrey but then ended up losing, and then Muzz didn't convert match-points versus the qualifier Jerzy Janowicz who would eventually reach the final. In the decisive match, however, David Ferrer wanted to end Janowicz fairytale in the City of Lights and the veteran Spaniard finally won his first Masters 1000 event.

It was the time of ATP World Tour Finals. The top-3 and Juan Martin del Potro naturally reached the semis, and poetically the last match of the ATP World Tour was played by the only two players who have occupied the top-ranking in 2011. Novak Djokovic spent a lot of time in the final trying to turn the set up to his side, but after another lesson of mental strength he defeated Roger Federer by 7-6 7-5 to win the last title of the season and confirm his status of world number one for the second year in a row.

The season couldn't end without the Davis Cup final. In Prague, the Czechs could defeat Spain by 3-2 - and Radek Stepanek became the national hero after so many years - and became the first National Team ever winning Hopman, Fed and Davis Cup in the same season. Also the ATP Challenger Tour Finals were once again played in São Paulo, giving the Italian Guido Pella his most important title of his career.

And that's all. Soon I'll also talk about WTA 2012 season, if you're still able to read such a extended text.
Cheers,
Pedro Mendes

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Final da Davis Cup

E assim acabou 2012 com a final da Taça Davis em Praga. Após a temporada WTA já ter terminado há duas semanas, com a final da Fed Cup (também na capital checa), e depois do final das ATP World Tour Finals de Londres, hoje foi disputada a 100ª final da competição mais importante de seleções a nível masculino e termina assim a temporada de 2012 em termos tenísticos.

Foi uma final muito renhida, que eu nem sempre tive oportunidade de acompanhar mas fico satisfeito com os encontros que pude ver. De um lado, a seleção da casa República Checa que perseguia a sua primeira "saladeira" desde a desintegração da Checoslováquia - haviam ganho juntamente com a Eslováquia em 1980, no tempo de Ivan Lendl; do outro lado da rede, estava a habitual seleção espanhola, que perseguia a sua quarta Davis Cup em cinco anos (tirando 2010, ano da célebre vitória de Novak Djokovic e companhia, Espanha vinha desde 2008 confirmando cada vez mais a sua ascensão como principal potência do ténis masculino). De facto, em 2009 os dois países já se haviam defrontado, com os checos a sofrerem uma copiosa derrota na terra batida de Sevilla.

Porém, este ano não se passou assim. A final era em Praga, em piso rápido (rapidíssimo, como disseram os espanhóis), e Espanha partia sem a sua principal figura, o antigo número um mundial Rafael Nadal - Rafa é quase imbatível em terra batida, mas mesmo noutras superfícies é sem dúvida superior a qualquer outro espanhol; além disso, Alex Corteja deixou no país vizinho Feliciano Lopéz, que se diz ser o especialista espanhol em pisos rápidos (pessoalmente, acho que ele não é especialista em coisa alguma) e levou antes Nicolas Almagro, nº11 mundial mas extremamente inconstante mesmo em terra batida.
Porém, nem tudo estava mau do lado espanhol; o valenciano David Ferrer estava na comitiva, motivadíssimo após um ano de sonho (terminou a época com 76 vitórias e sete títulos, mais do que qualquer outro tenista) e com o seu primeiro evento Masters 1000 da carreira "no bolso", conquistado há duas semanas em Paris em... piso rápido. A dupla espanhola também era à partida de classe mundial, sendo formada por Marcel Granollers e Marc López, recem-vencedores do Masters de Londres, mas sem experiência nesta competição, como se viu.

Já a equipa da casa, partia em teórica desvantagem em termos individuais mas com muita vontade. Os tenistas que jogariam em singulares eram o nº6 do mundo Tomas Berdych e o nº37 Radek Stepanek, este último antigo oitavo tenista mundial. Já o jogo de pares seria jogado pela dupla Ivo Minar e Lukas Rosol, conhecido pela derrota imposta a Nadal na segunda ronda de Wimbledon e que foi também o último encontro do espanhol da temporada. Na prática, a dupla de pares foi formada por Berdych e Stepanek e acabou por resultar em cheio, tal como havia resultado na meia-final diante da Argentina - e Stepanek já tinha vencido o Open da Austrália 2012 em pares.

Passando à final propriamente dita: o primeiro encontro, David Ferrer vs Radek Stepanek, não vi e vim depois a saber que o espanhol havia vencido em três sets apesar da luta do veterano tenista checo. Nada de surpreendente, considerando a recente forma de Ferrer e o declínio de Stepanek nesta sua fase da carreira. Achava que a final se ia decidir nos encontros do Berdych e no par, e parcialmente acertei.
Nesse segundo encontro, Tomas Berdych derrotou Nicolas Almagro em cinco sets num encontro muito disputado, eles que já no Australian Open desde ano haviam protagonizado um episódio polémico - Almagro atingiu Berdych com uma bola na rede e no final do encontro o checo recusou cumprimentar o espanhol.  Na sexta-feira, Berdych podia ter fechado em quatro mas o Almagro ainda forçou a negra antes de ceder o ponto para o empate; "pase lo que pase", só no domingo se saberia o vencedor.
Sábado foi dia do jogo de duplas. Como já referi, a República Checa anunciou uma dupla diferente da prevista para o encontro de pares e, após terem perdido o primeiro set, Tomas Berdych e Radek Stepanek venceram o encontro e punham o seu país a apenas uma vitória do título da Taça Davis!
Hoje, domingo, foi o dia das decisões. Pensava que seria Tomas Berdych a decidir a vitória no seu encontro contra David Ferrer, mesmo sabendo da boa forma do espanhol, mas parece que me enganei. O checo simplesmente não esteve ao nível necessário e o valenciano a jogar assim só perde mesmo para os tenistas do Big-Four, seja em que superfície for (menos em terra, onde se pode perfeitamente bater de igual para igual com o Djokovic e o Federer). Em três sets, David Ferrer vencia o encontro e dava a Nicolas Almagro a hipótese fechar a final a favor de "nuestros hermanos".
No 5º encontro, Almagro não contava certamente com um Radek Stepanek inspiradíssimo. O veterano checo, muitas vezes mal-amado pelo público e imprensa, mostrou a todos os críticos que a República Checa podia contar com ele e numa exibição bastante boa - longe da perfeição mas não muito longe -, o marido da antiga tenista Nicole Vaidisova venceu em quatro partidas e deu ao seu país a tão aguardada Taça Davis.

Acabou por ser uma derrota um bocado amarga para os tenistas espanhóis que jogaram singulares; David Ferrer venceu os seus dois encontros sem perder qualquer set e Nicolas Almagro esteve mais de sete horas em campo para perder os seus dois embates. Foi uma justa vitória checa, e ainda bem que assim foi para quebrar um pouco a hegemonia espanhola...

Com este resultado, a República Checa vence a sua primeira Taça Davis enquanto nação independente e torna-se no primeiro país a vencer na mesma temporada a Hopman Cup (torneio de início de ano de seleções), a Fed Cup e a Davis Cup. Nestas conquistas, os heróis das finais acabaram não por ser Tomas Berdych e Petra Kvitova - ambos nº1 checos e presenças recorrentes no top-10 mundial - mas sim Radek Stepanek e Lucie Saforava, habituados a viver na sombra de Berdych e Kvitova em tempos recentes.

E é tudo. Cumprimentos,
Pedro Mendes

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Vitória de Djokovic em Londres

E chegámos hoje ao final da temporada ATP, com a final das ATP World Tour Finals em Londres. Falta ainda a final da Davis Cup entre a República Checa e a Espanha para terminar definitivamente este ano tenístico de 2012.

Apesar de nem sempre jogado ao seu melhor nível, foi um encontro muito interessante e incerto quanto ao vencedor final, a fazer jus à capacidade dos dois tenistas. No final a vitória sorriu ao número um mundial Novak Djokovic, que venceu o seu sexto título da carreira e o segundo torneio de final de ano - primeiro ATP World Tour Finals, visto o primeiro ter sido em 2008, quando ainda se chamava Tennis Masters Cup.

O encontro começou com Roger Federer a entrar muito forte e a adiantar-se rapidamente para 3-0 com um break de vantagem (só vi a partir do 2-0 visto ter saído mais tarde da frequência de Cálculo, mas pelo que vi e ouvi julgo que foi isto que aconteceu). A reação do líder do ranking mundial não se fez esperar e Nole recuperou logo de seguida o break para igual a 3-3. 
O set manteve-se equilibrado por mais dois jogos, até que Nole volta a quebrar para 5-4 com um Federer mais errático nesta fase. Seguidamente, o sérvio serviu para fechar o set cheio de confiança mas o campeoníssimo suiço mostrou que não iria ser assim tão "fácil" e salvou um set-point para levar o encontro a um tie-break - Federer ainda esteve a dois pontos da vitória no 6-5, mas Djokovic conseguiu levar a partida a um desempate após ter sido assistido medicamente fruto de um "voo" mal sucedido.

No tie-break, outra vez muito suspense e pressão até que, ao terceiro set-point, Nole cerra o punho e adianta-se a 7-6(6).

Esperava-se um número um mundial mais forte no início do segundo set, mas Roger Federer "ainda mexia" e voltou a quebrar para começar o parcial. Com mais ou menos dificuldade, Djokovic foi confirmando o resto dos seus jogos de serviço sem nunca ameaçar verdadeiramente o contra-break e eis que Federer serve a 5-4 para levar o encontro à "negra". Aí, Nole consegue finalmente o break na reta final e, cheio de confiança, embala para três jogos consecutivos e ao primeiro championship-point é mesmo o sérvio o vencedor das Barclays ATP World Tour Finals 2012!

É um grande final de ano para o Nole, que após uma temporada de terra batida e relva sem qualquer título venceu em Cincinatti, Tóquio e Pequim antes de ser coroado Tenista do Ano na capital inglesa. Não foi um ano tão bom como 2011 - ele próprio admitiu que seria muito difícil fazê-lo, e de facto foi - mas foi outra temporada bastante positiva com a estreia na final de Roland Garros e a renovação do título do Open da Austrália e mesmo agora este triunfo em Londres. O posto de líder do ranking nem sempre foi uma realidade mas Novak Djokovic é merecidamente o melhor tenista deste ano.

Quanto a Roger Federer, o suiço mostrou aos seus críticos (entre eles eu, que apesar de ser fã há muito tempo do recordista de vitórias em Grand Slams nunca pensei que ele voltasse ao seu nível de anos anteriores) que ainda é um nome a temer em todo e qualquer torneio. Com o seu sétimo título em Wimbledon e a marca das 300 semanas na liderança do ranking alcançada, Federer bateu dois recordes que há muito ambicionava e provou que ainda está aí para lutar taco-a-taco com os melhores.


E é tudo, cumprimentos
Pedro Mendes

domingo, 4 de novembro de 2012

BNP Paribas Masters - último Masters 1000 da temporada

Esta semana teve lugar em Paris o BNP Paribas Masters, nono torneio da temporada da categoria Masters 1000 e também o último evento ATP antes das ATP World Tour Finals de Londres.

Foi, de certo modo, um torneio atípico. Rafael Nadal já se sabia que não ia estar ainda a postos para voltar aos courts, enquanto o campeão em título Roger Federer anunciou logo após perder a final de Basileia que também não ia marcar presença na Cidade das Luzes.
Depois, começou o torneio. Na segunda ronda (teve Bye na primeira), Novak Djokovic é logo eliminado após um (também atípico) encontro contra o norte-americano Sam Querrey; o sérvio venceu os primeiros oito (!) jogos do encontro para depois acabar por perder 0-6 7-6 6-4. Andy Murray também não fez muito melhor, já que caiu ao seu segundo encontro (3ª ronda) contra o qualifier Jerzy Janowicz após ter desperdiçado match-points! Pela terceira semana consecutiva, o escocês fá-lo (quem se lembra da épica final de Xangai?)... Nota-se uma necessidade de descanso, mental principalmente, para o nº3 mundial.

E com isto tudo, consegui introduzir o Jerzy Janowicz no post (se bem que eu introduzo quem bem me apetece, mas esta continuidade temática até que acho que correu bem... ou então sou só eu a divagar). Sim, ele de facto era um qualifier classificado no 69º lugar do ranking - número curioso. Porém, isso não o impediu de derrotar dois top10 (além do Murray, também Janko Tipsarevic sucumbiu ao serviço poderoso e aos amorties clínicos deste polaco de 21 anos) e ainda o tenista da casa Gilles Simon no encontro de acesso à final - também ele um antigo top-10, atualmente no top20. Este Janowicz tem muito jogo, se continuar nesta forma em 2013 será um nome a ter em conta no circuito... faz-me lembra de certa maneira o John Isner e o Tomas Berdych.

Depois, finalmente, na final, o adversário do JJ (não é o Jorge Jesus, esse não joga "ténes") era o nº5 mundial David Ferrer que passou a semana discretamente, vencendo os seus jogos e cumprindo a sua parte num quadro relativamente fácil após a desistência de Roger Federer. Chegados à final de hoje, o polaco ainda teve as suas hipóteses: ponto de break no oitavo jogo do primeiro set (antes de acabar quebrado no jogo seguinte) e dois jogos no segundo set que duraram ambos 10 minutos e que caíram para o lado do espanhol - sendo que um desses jogos era aquele em que Janowicz "devia" ter confirmado o break alcançado anteriormente. Como se pode ver, não passaram de oportunidades falhadas e foi mesmo David Ferrer o vencedor do BNP Paribas Masters, triunfando por 6-4 6-3.

Já se sabia de antemão que o vencedor seria um estreante em torneios desta categoria, e esse estatuto acabou por (finalmente) cair para o lado de David Ferrer. Aos 30 anos, o espanhol vence finalmente um evento Masters 1000 após três finais perdidas (Roma 2010, Monte Carlo 2011 e Xangai 2011). Título merecidíssimo para um jogador que é normalmente subvalorizado na sua carreira; como todos os espanhóis, é um tenista especialmente bom em terra batida (com a variante de ter cabeça e não ser um poço de inconstância como Feliciano Lopéz ou Fernando Verdasco, além de ser destro), talvez mesmo o segundo melhor do mundo, mas como está na geração de Rafael Nadal "leva sempre na boca" quando joga contra este em finais de terra batida. Desta vez não, e curiosamente até nem foi em terra batida que o valenciano venceu o seu primeiro Masters 1000... Grande temporada para Ferrer, com 7 títulos em três superfícies diferentes (o tenista com mais títulos da época).

E bem, com isto tudo, começa o Masters de Londres amanhã e o Nole regressa, também, à liderança amanhã. Espero que ele esteja preparado para ganhar este ano após a fraca prestação do ano passado, em que chegou perto da exaustão total à capital inglesa... Já agora, votem na sondagem!

Cumprimentos,
Pedro Mendes

Final da temporada WTA em Praga e Sófia

Foi um grande dia de ténis hoje, com três finais; duas no circuito feminino, as duas últimas da temporada, e uma no circuito masculino, a última antes do Masters de Londres da próxima semana (com exceção da final da Taça Davis).

Começando pela final da Fed Cup: voltou a ser ganha pela República Checa, que venceu em casa a estreante Sérvia - estreante na final, pois jogadoras como Ana Ivanovic e Jelena Jankovic já foram líderes do ranking mundial e esta última é mesmo considerada (não por mim) com uma das melhores tenistas a jogar na Fed Cup nos últimos anos.
A final começou no sábado, onde tranquilamente Lucie Safarova e Petra Kvitova derrotaram, respetivamente, Ana Ivanovic e Jelena Jankovic. Hoje, inverteram-se as adversárias e a Ana começou por derrotar categoricamente (e surpreendentemente, verdade seja dita) a Kvitova e ainda deu esperança à Sérvia! Só que logo depois, a Safarova mostrou que não estava lá para brincar - como Kvitova anda a fazer... - e arrasou a JJ por duplo 6-1. Sétima Fed Cup para as checas!

Se a Ivanovic tivesse jogado tão bem contra a Safarova como fez hoje, a Sérvia poderia perfeitamente ter ganho considerando o mau momento da Kvitova... Mas a Jankovic também está muito aquém, ela que já diz que está a ponderar abandonar a equipa da Fed Cup; pode-se não gostar, mas é um facto que a JJ é um elemento muito importante para as sérvias e a Bojana Jovanovski ainda está muito "verdinha". Para o ano há mais :)

Já em Sófia, teve lugar esta semana o Torneio das Campeãs - chamando de Masters B na gíria -, oficialmente o último evento WTA da temporada. Este ano voltou a ser disputado em fase de Round Robin, contando com a presença de tenistas que venceram pelo menos um título nesta temporada - casos das antigas top10 Nadia Petrova e Daniela Hantuchova e também a número 1 em Janeiro deste ano Caroline Wozniacki. 
Na final, a Petrova derrotou a Wozniacki por 6-1 6-2 facilmente e confirmou a grande segunda metade de temporada; vai acabar o ano no 12º lugar. Já a dinamarquesa assegurou mesmo no limite o seu regresso ao top10, terminando 2012 no 10º posto. Claro que é bom mas para uma tenista que era líder do ranking há pouco mais de nove meses, ficar pela primeira ronda nos últimos dois Majors e não ir a Istambul para jogar em Sófia (e mesmo assim não ganhar o troféu) não pode ser considerada como uma boa temporada... o problema é ela achar que pode.