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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Karma

Acredito no karma, e naquilo a que os ingleses chamam jinxing, mais do que devia (e até mesmo mais do que queria). É claro que é algo completamente irracional, e por norma costumo seguir a razão para quase tudo, mas neste caso dou por mim a controlar as minhas expetativas e a falar antes do tempo muitas vezes mesmo.

E é por isso que esta temporada do Benfica me está a saber tão bem. Claro, mais uma vez, estas duas finais contra o Rio Ave ainda estão longe de estarem ganhas (no jinxing), e eles já estão a preparar esses jogos e nós ainda não... Mas, após o final da temporada passada onde fomos gozados por toda a gente - sendo que, quase nenhum clube na Europa fez uma temporada tão boa como a nossa, apesar de tudo -, este ano, se há clube que merece, somos nós.

E além disto que já alcançámos, se tudo correr bem, estaremos em Turim duas vezes em Maio. Afinal somos equipa do Pote 1 da UEFA, temos uma experiência muito grande na Liga Europa e partimos em vantagem para a segunda-mão, além de notar na Juventus o mesmo excesso de confiança que talvez os tenha feito perder o jogo aqui na Luz, o que aliado ao facto de ainda não serem campeões os pode fazer facilitar mais do que quereriam, e/ou até mesmo acusar a pressão do momento. Mas isto também pode muito bem não acontecer, pois eles são uma das melhores equipas da Europa, têm em Andrea Pirlo e Gianluigi Buffon dois dos melhores jogadores do século da squadra azzurra e, juntamente com o primeiro, Arturo Vidal e Paul Pogba formam um trio de centro-campistas de muito respeito (apesar de o chileno ainda estar em dúvida). No fundo, o jogo de quinta-feira será um teste: para mostrar que conseguimos vencer a final, temos de passar primeiro pelo "ensaio geral".

Voltando a isto do karma, talvez seja por isso mesmo que esta temporada está a correr tão mal ao Porto. No final da temporada passada, mais uma onde foram campeões muito por demérito do Benfica, até fizeram um espaço no seu novo museu dedicado ao famoso golo do Kelvin (que não foi mesmo aos 92 minutos, só que já se sabe que uma mentira, dita muitas vezes, torna-se verdade) e criaram músicas apenas a gozar com o Benfica, ou seja, músicas típicas da sua mentalidade regional... E é por isso mesmo que este ano merecem levar com isto tudo.
Mas, uma vez mais, não entremos em euforias de "o Pinto da Costa já acabou" ou "agora será 5 anos seguidos para nós". Não. Só ganhámos ainda este ano, não nos outros. O Pinto da Costa ainda lá está, e no Porto a mentalidade deles (infelizmente) é de vencedores. Temos hipóteses de recuperar a hegemonia do futebol nacional, mas teremos de voltar em força no próximo ano, pois o Porto também o fará, e voltarão a ser um osso muito duro de roer.

Por último, ainda uns parágrafos sobre os meus outros "dois amores": o Liverpool e o Chaves.
Em Anfield Road, assistiu-se hoje à prova do quão cruel pode ser o futebol. O capitão Steven Gerrard, provavelmente o jogador do mundo que mais merece ganhar uma Premier League (sim, eu sei que posso estar a exagerar, mas é o que eu acho), escorregou e deu o primeiro golo ao Chelsea, que depois, mais uma vez esta temporada, se limitou a jogar um futebol podre e nojento com o único intuito de defender o resultado. Pessoalmente sempre fui fã do Mourinho e sempre o apoiei (principalmente no Inter e no Real, dois dos meus clubes favoritos), mas nesta sua segunda passagem pelo Chelsea, desejo sinceramente que ele perca tudo. Estou farto dos seus discursos de hipócrita e do seu futebol de merda. E se tudo correr bem, irá mesmo perder tudo e o Liverpool será na mesma campeão - afinal ainda estamos em primeiro, e acredito que se ganharmos os próximos dois jogos, o City poderá perfeitamente não ganhar o jogo em atraso.

Já quanto ao Chaves, tem sido um final de temporada de sonho! A subida nunca foi o objetivo inicial, mas agora com a liguilha a apenas dois pontos, pode perfeitamente ser assumido! A vitória de hoje em Penafiel só confirmou esse bom momento, o que leva o jogo no Municipal Branco Teixeira contra o Portimonense a ser, na minha opinião, decisivo para a ida ao play-off. Força Valentes Transmontanos!

domingo, 20 de abril de 2014

Trigésimo terceiro

Custou. Custou ter perdido tudo em Maio do ano passado. Custou tanto que, se em Agosto já poucas esperanças tinha de o Benfica ser campeão, com menos ainda fiquei quando o Porto do Paulo Fonseca abriu uma vantagem de cinco pontos sobre nós... Afinal, qual é o clube que desperdiça uma mão cheia de pontos quando na liderança, sem ser o Benfica?!

Mas parece que me enganei. E ainda bem, pois se é para estar errado, que seja neste tipo de coisas. Apesar de ter sido contra a permanência do Jesus no Benfica para esta temporada (e ainda sou, pois acho que se chegou a um ponto onde o Benfica está demasiado grande para ele, com todo o respeito), o Vieira fez bem em não o ter despedido a meio, e o JJ esteve muito, mas mesmo muito bem, em aguentar a equipa quando esta tinha tudo para entrar numa série de jogos sem vencer. E agora, dia 20 de Abril, Domingo de Páscoa, - e fazendo o trocadilho mais cliché da última semana -, Jesus ressuscitou!

Uma das coisas que disse nesse fatídico mês de Maio do ano de Nosso Senhor de 2013, foi que tínhamos perdido uma grande oportunidade de fazer um "triplete". Afinal tínhamos chegado à final de todas as competições e tínhamos passado 2/3 do campeonato em primeiro! Sim, muita gente o fez e eu próprio também dei o exemplo do Bayern do Jupp Heynckes - que estava prestes a ganhar tudo, após no ano anterior também ter perdido tudo -, mas no fundo, não acreditava muito nisso.
Só que o Benfica deste ano (falo a partir de Dezembro, pois antes disso era uma equipa cheia de fantasmas da temporada anterior) é outro Benfica. É um Benfica que não só ataca bem, como também defende bem; e atenção ao advérbio aqui, que é importante.

O Benfica de Jorge Jesus sempre foi conhecido pela nota artística, pelo rolo compressor, pelas inúmeras goleadas que alcançava ao longo das temporadas. Só que esse mesmo Benfica, também era o Benfica que, em 2010-2011, acabou a temporada numa série de cerca de três meses (agora não sei bem) a sofrer sempre golos. E o Benfica que na temporada passada, naqueles três jogos decisivos que perdeu, sofreu dois golos em cada um... Sofrer dois golos está muito longe de ser uma goleada, mas quando só se marca um, é de facto um aspeto negativo.

Este ano, se calhar o melhor que nos aconteceu foi a lesão do Artur. Não é por acaso que lhe chamamos Rei Artur, mas desde o final da temporada passada que ele se mostrava bastante inconstante nos momentos decisivos. Já era altura de ele ceder o lugar a outro, e desde 2010 que tínhamos nos quadros este jovem guarda-redes esloveno que, no momento em que substitui o Artur no jogo da primeira volta contra o Olhanense, a minha timeline no Twitter parecia que já o conhecia há tempo suficiente para confiar nele - e, no fundo, faz sentido, dado a boa temporada passada que ele fez no Rio Ave. Acho que o Oblak tem tudo para ser um grande guarda-redes, e o facto de só ter sofrido três golos para a Liga desde que é se estreou (e zero na Luz!) faz dele, para mim, o titular indiscutível neste momento.

Agora, ainda há mais três competições em disputa. Esta é a vantagem de ter assegurado o título o mais rapidamente possível (eu teria preferido logo ontem, ao contrário de alguns benfiquistas que quase celebraram o golo do Adrien), pois vai-nos permitir ir com tudo para cima da Juventus esta quinta-feira. Espero que passemos, pois gostava de "corrigir" a derrota na final do ano passado, mas honestamente prefiro a "dobradinha"; há dez anos que não ganhamos no Jamor, e já fomos a duas finais entretanto, pelo que o quarto da centena de Taças de Portugal tem de ser alcançado este ano! E depois ainda há a meia-final da Taça da Liga, para qual  honestamente me estou a cagar, mas claro que, se possível, gostava sempre de ganhar. Num ano em que temos sido claramente melhores que o Porto (e desta vez, também no confronto direto), temos de aproveitar isso e, acima de tudo, construir em cima disso e não deitar abaixo esta oportunidade de recuperar a hegemonia do futebol português!

Houve festejos por todo o país. E tenho a certeza que em países como Canadá, França, Suíça, Angola, Moçambique e muitos outros, também houve muita gente nas ruas. Isto é o Benfica! Com este título, tornamo-nos (de novo) no clube das oito principais ligas europeias com mais títulos nacionais internos. A UEFA recentemente divulgou um estudo onde mostra que o Benfica é o clube da Europa com mais adeptos no próprio país. Estamos no guiness por sermos o clube com mais sócios do mundo. Quando é para criticar, eu sou o primeiro a criticar o Benfica, pois acho que só olhando imparcialmente para o nosso clube é que conseguimos ver o que está mal e conseguimos evoluir... Mas quanto à nossa grandeza, nada a dizer. E este título é dedicado ao Pantera Negra e ao Monstro Sagrado. Para sempre.

Pedro Mendes

quinta-feira, 27 de março de 2014

Benfica e o fantasma da época passada


Há cerca de nove meses, mais concretamente a 25 de Maio de 2013, saía eu com o meu irmão do estádio do Jamor, onde nunca havia ido, e após ver o Benfica a alinhar a sua pior exibição da temporada no último jogo da mesma. Quase que chorei no jogo do Dragão, quando o Kelvin marcou aos 90+3 (sim, porque é muito bonito falar no minuto 92, mas isso é uma mentira que por ser repetida muitas vezes se tornou "verdade"), e no jogo contra o Moreirense, após termos perdido em Amesterdão a final da Liga Europa, estive lá a gritar pela equipa e a apoiá-los, consciente de que, apesar de a sorte também se procurar, não perdemos o campeonato e a Liga Europa por falta de esforço dos jogadores.

Porém, no Jamor, foi diferente. Os jogadores tinham obrigação de dar tudo, era o nosso prestígio que estava em causa e na final de uma prova onde até há poucos anos tínhamos tantos troféus como o Porto e o Sporting juntos. Mas não foi isso que se passou. Tivemos o jogo na mão até cerca de um quarto de hora do final, quando o Vitória marcou de rajada dois golos e aproveitou finalmente a nossa displicência gritante após termos feito cedo o 1-0. Aliado ao desentendimento entre o Cardozo e o Jesus e ainda à falta de fair-play da equipa durante a entrega da Taça, essa foi, para mim, a gota de água; saí de lá a gritar "vocês são uma vergonha" com muitos outros adeptos. Já no metro em Lisboa, a vir para casa, conheci um adepto de Vila Real (de onde até sou natural, apesar de me considerar flaviense) que ainda ia mais desolado que eu, pois tinha ido ao Dragão, a Amesterdão e agora ao Jamor e tudo para estar perto de perder o autocarro para voltar para Trás-os-Montes nesse dia - espero que o tenha apanhado.

Jurei a mim mesmo que este ano não iria sequer ver na televisão um jogo do Benfica para o campeonato (para a Liga dos Campeões cheguei a ir ao estádio, pois é uma competição totalmente diferente e gosto de ir à Luz mais para ver clubes que não vejo todos os fins-de-semana). Até ao jogo com o Porto na Luz, não tinha vontade nenhuma de ver o Benfica e quando ficámos a cinco pontos da liderança já dava o campeonato por perdido... Porém, e como isto é futebol, onde tudo pode mudar de um momento para o outro, mudou mesmo: estamos com 12 pontos de avanço sobre o Porto e 7 sobre o Sporting, e ainda temos hipótese de ganhar todas as competições. Além dos jogos da Liga Europa - competição que acho que não é para nós, preferia muito mais chegar aos oitavos-de-final da Champions -, tenho visto jogos do campeonato recentemente e estou relativamente confiante para este final de temporada.

No entanto, e conhecendo o JJ, o jogo de ontem deixou-me preocupado. Não pela derrota, pois nós não somos invencíveis e ainda vamos perder ou empatar mais jogos até final do ano - e é preferível perder agora, que perder todos em Maio como aconteceu na temporada passada... O que me irritou foi o discurso do Jesus ontem. Eu não o culpo pela derrota, pois de certeza que Salvio, Sulejmani e Cardozo não recebem assim tão pouco para darem uma para a caixa como se passou ontem, mas o homem tem de reconhecer quando joga mal, e ontem foi o que se passou! É que agora que tipo de discurso é que ele terá com a equipa? "Jogámos bem mas tivemos azar, na Luz damos a volta a isto"? Este tipo de discursos são perigosíssimos, e uma equipa com o Benfica tem de dar o máximo em todos os jogos, seja com a equipa A ou a B, e não pode nunca ficar satisfeita com uma derrota, ainda para mais com o Porto!

Mantenho a minha opinião de que o Jorge Jesus não tem postura para treinar o Benfica (além de ganhar muito para quem só tem quatro troféus, sendo três deles Taças da Liga), e que o seu tempo já acabou, mas de igual modo sempre defendi que, uma vez que começou a temporada, deve ir até ao fim e ainda bem que continuou. É nossa obrigação reagir já no domingo em Braga e continuar a apoiar a equipa e o treinador até final da temporada - e SÓ aí festejar. Carrega Benfica!

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Mandela e Eusébio

Tenho estado bastante afastado do Uspeti nos últimos meses por causa da faculdade e apesar de ainda estar em exames, hoje apetece-me escrever de novo alguma coisa e vou falar de uns temas dos quais ainda não falei.

No passado dia 5 de Dezembro morreu um dos pilares do que é a África do Sul hoje em dia, e provavelmente um dos maiores homens do século XXI: Nelson Mandela, carinhosamente chamado de Madiba (o nome da sua tribo, da qual seria "rei" se não tivesse enveredado pela carreira política).
Nasci no ano em que Mandela chegou à presidência. Logicamente, as memórias que tenho de ouvir falar nele são sempre posteriores a 2004, ano em que o primeiro presidente negro da África do Sul anunciou a sua aposentadoria de todas as questões políticas e passou a apenas raramente aparecer em público. Porém, quando saiu o Invictus - filme com Morgan Freeman no papel principal que retrata o papel de Mandela na vitória da seleção de râguebi sul-africana no mundial de África do Sul'94 -, a minha admiração por este homem cresceu imenso, e mais ainda depois de saber que ele morreu e ter passado horas a ler sobre a sua vida. É certo que, quando alguém morre, a tendência é para se sobrevalorizar a sua obra, mas por outro lado também é nestas alturas que surgem críticas ao seu trabalho pouco conhecidas anteriormente por parte do público... No entanto, juntando "isto" tudo, um homem que foi capaz de, ao fim de quase três décadas encarcerado, perdoar os responsáveis pelo seu aprisionamento - facto muito retratado em Invictus, onde ao contrário do que se esperava o Madiba não despede ou manda prender os membros do anterior governo, convidando-os antes a juntarem-se a si - e ainda ter a presença de espírito necessária para apenas estar um mandato no poder, mesmo sabendo que, caso assim o quisesse, o povo iria sempre votar nele, só pode merecer a nossa homenagem e o nosso respeito. Descansa em paz Madiba!

Um mês depois, e talvez cumprindo uma "profecia" que circulou no Facebook - uma rapariga, extremamente desolada com a morte de Mandela, postou uma foto a dizer "RIP Mandela" com a foto de Eusébio -, o Pantera Negra também deu por terminado o seu trabalho na terra. Foi também uma pessoa cujas memórias que tenho são já de ser uma lenda viva do meu clube e do meu país, uma vez que o que conheço da sua carreira futebolística, ou li, ou vi em vídeos no Youtube ou agora recentemente na televisão (onde estava a ver que íamos perder com a Coreia do Norte!). Penso que Eusébio da Silva Ferreira é, e sempre será, o maior expoente do futebol em Portugal. Alguém que ganha a Taça dos Clubes Campeões Europeus derrotando na final a maior potência mundial da altura (e ainda vai a mais três finais da competição), torna-se no primeiro jogador português a ganhar a Bola de Ouro, leva a sua seleção ao terceiro lugar do Mundial de 1966 (onde é o melhor marcador e o segundo melhor jogador da competição), conquista o campeonato português em onze ocasiões (tendo sido melhor marcador por cinco vezes consecutivas, se a memória não me falha) e é elogiado e admirado por muitos dos melhores jogadores de sempre, é homenageado pelos adeptos rivais na hora da sua morte, é certamente um exemplo para qualquer pessoa que se queira tornar futebolista. O meu obrigado, Rei, por tudo.

domingo, 29 de setembro de 2013

João Sousa e Rui Costa

Hoje, dia 29 de Setembro de 2013, foi feita história no desporto nacional; atrevo-me a dizer, aliás, que este dia é um dos maiores da história desportiva portuguesa de sempre. O tenista João Sousa e o ciclista Rui Costa, de vinte e quatro e vinte e seis anos respetivamente, elevaram hoje o nome de Portugal a patamares nunca antes alcançados nessas modalidades por um desportista luso.

Ambas as vitórias têm o seu significado; se, por um lado, os torneios ATP 250 são os menos reputados do circuito mundial e o Campeonato do Mundo de Ciclismo, apesar do nome pomposo, não tem de longe a importância no calendário que têm as grandes voltas e até mesmo as chamadas "clássicas", não é menos verdade que são grandes marcos no nosso desporto e que devem, por isso, ser louvados - e, acima de tudo, a capa de TODOS os jornais portugueses (com exceção, talvez, daqueles restritos a um dado tema que não seja o desporto/futebol) deve amanhã ser dividida quase exclusivamente por estes dois homens!

Mas bem, começando pelo ténis. Já na semana passada o João havia chegado às meias-finais em São Petersburgo, tornando-se no segundo tenista português depois de Frederico Gil no Estoril Open'2010 a alcançar fase tão avançada de um evento do circuito mundial. Esta semana, na capital malaia, o vimaranense quis mostrar que o bom resultado na Rússia não havia sido obra do acaso e o público português começou a perceber isso quando Sousa derrotou o número quatro mundial (top3 há uns meses) David Ferrer nos quartos-de-final; o que significa, sem tirar nem pôr, a melhor vitória de sempre de um tenista português!
Continuando a sua jornada, o João derrotou o antigo top10 Jurgen Melzer nas meias-finais e hoje, frente ao Julien Benneteau (que, coitado, já havia perdido as oito finais que jogou anteriormente no circuito profissional), o número um nacional ainda teve de salvar um championship-point no segundo parcial levar o francês de vencida e tornar-se assim no primeiro tenista português a vencer um título de singulares no circuito profissional de ténis; além disso, Sousa subirá amanhã para o 51º posto da hierarquia mundial, que representa a melhor classificação de sempre de um português e que o coloca à porta do lote dos cinquenta melhores.

Esta vitória do João, que há muitos anos que está radicado em Barcelona, é mais uma prova que o ténis português tem muito potencial se for bem aproveitado; caso os apoios que ele teve na Catalunha existissem aqui em Portugal, a modalidade não só se desenvolvia muito mais no nosso país como talvez ele tivesse começado a aparecer mais cedo.

A vitória do João Sousa consumou-se por volta do meio-dia português; por essa altura, em Florença, já se corria para o Campeonato do Mundo de estrada, onde o poveiro Rui Costa partia como um dos nomes a ter em conta. Só vi a parte final da corrida, quando o Rui ganha ao sprint ao Joaquín Rodríguez - dando a ideia que "Purito" se enganou e pensou que já tinha chegado à meta antes do tempo, apesar de também dar a ideia que mesmo assim a vitória seria do português); foi mais uma grande vitória de Costa nesta temporada, que provavelmente o vai levar a terminar o ano perto do top5 no ranking da UCI, ele que será parte integrante da Lampre na próxima época.

E pronto, foi isto que se passou hoje em Portugal; falo de acontecimentos interessantes, não das autárquicas e da tristeza que é a política no nosso país. Esperemos que estes feitos impulsionem de facto a mudança do paradigma desportivo português; pelo menos na minha opinião, o futebol mete-me cada vez mais nojo pela maneira como é jogado e debatido em Portugal, e falo tanto contra o Porto como contra o Benfica.

Um bem-haja,
Pedro Mendes