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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Federer: is it the end?


Yes, I know. We've been saying this since the start of the decade. He was "over" in 2011, and then he won Wimbledon next year and clinched some more records (like those absolute 302 weeks as top-ranked). He was "over" in 2013 when he left top5 and didn't reach a single Grand Slam final and then in 2014 he performed quite an amazing season by playing his ninth Wimbledon final and nearly getting back the first position. However, I think this early loss to Seppi in Melbourne is somehow different and I'm going to explain why.

First of all, it's Andreas Seppi. Okay, if I had to pick an Italian player for my "tennis crew" of something I'd pick him with a blink of an eye (Fogna can't play five matches at high level in a row), but he's not quite above average in any aspect of the game... Besides, Roger has defeated him in their previous ten meetings, dropping only a set! Therefore, this early third round defeat in Australian Open (his worst result ever in the Happy Slam, tied with 2000 and 2001's performances) is probably due to some mental meltdown Federer is been showing in the last four years... And I'm afraid it won't get any better in the next months.

Let's be honest: Roger has no chance of winning another Major if, at least, two of the other three members of Big Four are on their best shape. And even if it's just one them and that one is Rafael Nadal, we all know Federer ain't going to defeat the Spanniard again in a Grand Slam tournament. I'm not saying I don't want it to happen, as long as the Swiss was the first tennis player I started watching... However, I fear Davis Cup will be the last big tournament in his curriculum. Which is already better than any other tennis player in history.

Pedro Mendes

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Entrevista a Freud

Ontem, um colega meu emprestou-me numa aula um livro de uma série do Expresso sobre grandes entrevistas da História, e se eu já estava com pouca atenção ao Teorema da Amostragem, com menos ainda fiquei. Comecei a ver quais os nomes dos entrevistados e, apesar de também me ter interessado por saber o que Benito Mussolini ou Júlio Verne disseram, foi a última de todas, ao famoso psicanalista austríaco Sigmund Freud, que fui de imediato ler.

As teorias de Freud, e de, antes dele, Nietzsche, sempre me despertaram interesse. Sempre tentei conhecer o máximo que consigo no meu dia-a-dia, e tenho um especial fascínio por áreas como a psicanálise, a psicologia, a psiquiatria, que, no fundo, debatem e tentar interpretar a mente humana, que é provavelmente o mais complexo que pode existir no Universo - só suplantada, claro, no caso específico da mente humana feminina. Não segui essa área de estudos, pois sempre me vi numa área mais "exatamente científica" (... ou jornalismo, ainda não sei bem), mas a cada ano que passa estou cada mais inclinado em me virar para a neurociência no meu mestrado. No fundo, quero estudar o que me faz querer estudar o que quero estudar.

Ora bem, o primeiro tema da conversa é sobre a morte. Freud refere que "a morte é o parceiro natural do amor" e, quando confrontado com perguntas sobre se tinha medo de morrer (a entrevista foi feita com o austríaco já septuagenário), o médico explica que, apesar de o ser humano fazer tudo para viver, no fundo, o seu maior desejo é a morte, que classifica como um descanso da vida.
Esta é, de facto, uma visão interessante sobre a inevitabilidade do fim. O Segismundo (vou tratá-lo carinhosamente assim, de vez em quando) acredita, se tudo acaba, também ele irá acabar um dia. E, consequentemente, se vai acabar, não quer saber da glória póstuma que terá depois de morrer, pois o que mais lhe importa são os filhos e, passo a citar, "esta flor". Pessoalmente, também acredito que o ser humano deseja tanto a vida, como a morte; simplesmente, e dada a relutância à mudança que nos é inerente - basta pensar que sempre que a skin do Facebook muda, ninguém gosta, mas depois quando muda de novo, já todos gostavam da anterior -, acordamos de manhã para viver. O que é bom, como é óbvio!

Mais à frente, e depois de mostrar o seu rancor para com o regime nazi em vigor na época (Freud era judeu, e curiosamente, ou não, o seu entrevistador era apologista do nazismo), o diálogo entra na esfera das emoções humanas, como por exemplo a mesquinhez: para o psicanalista, o facto de o ser humano ser mesquinho deve-se a um conflito entre os seus instintos e as "normas" da sociedade, o que, por um lado, faz sentido na medida em que o confronto entre o eu e os outros está sempre presente na vida de qualquer pessoa. Freud tem ainda uma teoria curiosa sobre o facto de as pessoas darem o nome de antigos heróis aos seus animais de estimação: os animais não são mesquinhos, têm ações totalmente verdadeiras e "reais", sendo que, na história da raça humana, era o que se verificava no tempo de Aquiles e Édipo.

No fundo, apenas achei a entrevista interessante pela crueza com que Freud abordou todos os temas com os quais foi confrontado, incluindo uma pergunta sobre achar que o sexo é a principal motivação do ser humano. O austríaco acredita que sim, o que foi muito controverso na altura, pois o debate sobre a sexualidade, e ainda mais a infantil (tema muito focado pelo Segismundo), era quase um tabu na sociedade, se é que ainda não o é ainda hoje. Porém, a ideia aqui a reter não é tanto a do ato sexual em si, mas antes a do alcance do prazer. O que nos remete para a primeira frase que referi.

"A morte é o parceiro natural do amor", por um lado, faz ênfase à correlação entre estes dois conceitos (em vez de morte, talvez ódio seja o mais indicado), e por outro, são estas as duas finalidades que Freud vê para a vida. Queremos morrer para alcançar o descanso de viver, mas, enquanto vivemos, queremos amar para podermos morrer descansados.
Pedro Mendes

sábado, 23 de agosto de 2014

US Open 2014 - preview

Hey guys. As promised in the previous post, I'll write about my views on this year's United States Open. And because three of my five most viewed posts are written in English and I kind of feel like it, I'm going to write this one in Shakespear's language too.

First of all, I'm not betting on Nole to win this year - which I think I have done for every Grand Slam tournament since 2011 Australian Open. He hasn't played quite well in the US Open Series, and therefore I believe it will be Roger Federer who's gonna win his sixth in Flushing Meadows; the former world number one was runner-up in Toronto and winner in Cincinnati, which means he has reached, at least, the finals in his last four tornaments (winning in Halle and Cincinnati and losing in Wimbledon and Toronto).

Actually, I don't even believe in Serena for women's title. I know, she's Serena fucking Williams, she's the seventeen-times Grand Slam champion (as many as Fed), she's the winner of 2012 and 2013 and was also runner-up in 2011 (when she faced the best Samantha Stosur ever), but Serena is not being Serena in this year's Major tournaments. The world number one has only won six matches in Grand Slam events this season, which makes me believe that her "aura" is no longer there, like, players are not that afraid of facing her when entering the court.
Therefore, my bet goes to Simona Halep. The Romanian will be the second-seed and even though she's playing very well in Grand Slam tournaments this season (runner-up in Roland Garros, semi-finals in Wimbledon and quarter-finals in Melbourne), what makes me believe she'll be the one lifting the trophy is that Simona is not afraid at all of facing any single opponent. She's totally world's second best player of the moment, and I truly believe she already has what it gets to win a Grand Slam tournament.

There will be other points of interest in Flushing Meadows too, of course. For example, I'm curious for what Grigor Dimitrov and Kei Nishikori, both top10 seeded, will do in the last Major of the season. I also want to see how the Frenchmen will do, like Gäel Monfils (my darkhorse) and Rogers Cup winner Jo-Wilfried Tsonga, and even the former champ Lleyton Hewitt - which I honestly believe that will defeat Berdych in the very first round of the tournament.

On women's draw, I'm really looking forward to see how Ana's going to perform. Being the eight-seeded gave her quite an easy draw, and if she makes it to the quarters, she can perfectly defeat Serena, just like she did in Australian Open - the only problem is that Ana has never lost to Williams sisters in the first month of the year, but has also never defeated any of them in the remaining months... Let's also watch the former world number one and runner-up in the last two editions, the Belarrusian Victoria Azarenka. In my opinion, she could have defeated Serena in both 2012 and 2013, and therefore I'm expecting another big performance of her on the next two weeks, regardless her recent bad shape.

Finally, I really have to mention Portuguese number one, João Sousa. Our best tennis player ever will be the thirty-two seed, which his an historical achievement for Portuguese tennis! João faces Dancevic in the first round and can meet Goffin in the next one, so I believe he'll be able to, at least, repeat last year's third round. Vamos João!

Pedro Mendes

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Mundial 2014

A minha ideia era fazer um post sobre Wimbledon e o Mundial, mas dado que já lá vão dois meses desde o último - estar de férias é chato na medida em que posso fazer imensa coisa, mas acabo por fazer exatamente o mesmo que faço durante as aulas, apenas com a diferença de o fazer por mais tempo -, vou escrever apenas sobre o Mundial, e depois faço uma antevisão do US Open mais detalhada. Afinal, temos que poupar árvores (virtuais), logo papel (virtual).

Apesar de ter sido apenas o terceiro que vi em tempo real, penso que esta é a melhor edição de que me lembro do Campeonato do Mundo FIFA. Grandes jogos, grandes surpresas, grandes golos, e um vencedor que mereceu por completo esta vitória e que me deixou relativamente satisfeito.
Mas já que já falei na Alemanha, é impossível falar do seu percurso no Mundial sem mencionar a nossa seleção. Honestamente, a minha seleção preferida sempre foi a Holanda, e em Mundiais acho que torço mais por eles que por nós - em Europeus já não, mas qualquer pessoa que perceba de futebol consegue ver que a Laranja é a seleção que mais merece um título de campeã mundial. Começámos logo a levar quatro dos alemães, mas esse nem foi o principal problema, na minha opinião: era de esperar uma derrota frente a uma seleção mais forte que a nossa (e que todas as outras, afinal). O que fodeu tudo foi, claro está, termos empatado contra os Estados Unidos. Voltámos a não jogar nada, o Ronaldo voltou a mudar o penteado, o Bento voltou a pôr o Veloso em vez do William, e pronto, deu merda.
Há muitas desculpas que se podem arranjar para esta nossa prestação desastrosa, mas acima de tudo, perdemos porque somos uma seleção de um homem só (porque queremos, pois temos pelo menos mais dois jogadores que eram titulares em qualquer clube do mundo), porque temos um treinador que aposta sempre nos mesmos jogadores (se bem que aí, o problema da não-renovação já vem de trás), e porque achamos sempre que somos candidatos a ganhar alguma coisa só porque, lá está, temos o melhor jogador do Mundo. Para mim, até ganharmos sequer alguma coisa (dado que nem um Campeonato da Europa temos), somos tão candidatos como, por exemplo, a Bélgica. E de certeza que eles são mais humildes que nós.

Quanto às outras equipas, houve muitas surpresas conforme já referi. No Grupo A, pouco a relatar sem ser a prestação um pouco desapontante da Croácia. No Grupo B, a Espanha foi finalmente de vela. Torci por eles no Euro 2008, mas desde que fizeram com que a Holanda voltasse a perder a final de um Mundial que fiquei farto do tiki-taka. No Grupo C, a Inglaterra floppou, como sempre (esses ainda são piores que nós, pois nós "só" nos achamos tão bons como os outros, eles acham que são mesmo os maiores), a Itália subestimou os adversários depois do primeiro jogo (adoro ver o Pirlo jogar, mas por não ser humilde perdeu a meia-final da Liga Europa contra nós e nem chegou a Julho no Mundial), e a Costa Rica fez o brilharete de ganhar este grupo com três campeões mundiais, e acabou por só perder nos penalties nos quartos-de-final! No Grupo D, a Grécia passou borrada e a Costa do Martim floppou (para não variar), e gostei bastante de ver o Japão jogar, mas não tinham grande equipa.
Depois, no Grupo E, a França passou em primeiro sem grande surpresa (e quase fazendo toda a gente se esquecer que só não ficaram no Grupo C porque o Platini lhes fez o jeito de evitar que não ficassem no pote europeu, o que acabou por dar resultado). No Grupo F, gostei de ver a Nigéria a passar mas tive pena pela Bósnia; com uma equipa mais experiente, teriam dado muito mas luta aos argentinos, que iam empatando contra a equipa do Carlos Queiroz (acho que por aqui dá para ver o nível que a Argentina apresentou na fase de grupos). Quanto ao Grupo G, o nosso, não há muito a acrescentar - a não ser mencionar que os norte-americanos pareciam mesmo interessar-se e perceber de futebol durante esta fase da competição -, e o Grupo H contou com uma Rússia extremamente desapontante e uma Argélia histórica, além de uma Bélgica que não convenceu especialmente.

E se a fase de grupos foi cheia de surpresas na maioria dos grupos, já a fase a eliminar foi muito mais previsível. Antes de mais, este foi o primeiro Mundial onde os quarto-finalistas foram, sem tirar nem pôr, os vencedores dos oito grupos; é certo, que com exceção da Colômbia, não se pode dizer que as outras seleções tenham ganho categoricamente os seus encontros dos "oitavos", mas acabaram por o fazer, e no futebol é isso que conta.
Já nesta fase se previam umas meias-finais Brasil - Alemanha e Argentina - Holanda, e foi mesmo isso que aconteceu. E foi aqui que se deu o cataclismo! Depois do Maracanazo, eis o Mineirazo! O choque! A humilhação! A vergonha! Okay, e chega de ser parvo.
Não vale a pena dizer muito mais sobre isto, já foram feitas todas as piadas possíveis e imaginárias e já foram dadas muitas explicações. Para mim, esta derrota do Brasil deve-se, antes de mais, ao excesso de confiança que havia antes do Mundial. Tudo bem, organizam em casa, são o país do futebol, mas este não é o Brasil cujo quarteto ofensivo chegou a ser algo do género Kaká-Ronaldinho-Ronaldo-Adriano... Com Fred e Jô como pontas-de-lança (para não falar também no Hulk, que acho ser um jogador fenomenal mas que na seleção não joga nada), e deixando de fora os dois primeiros desses quatro de que falei, há que refrear as expetativas desde o início. Além de que, conforme muitos especialistas disseram, o Brasil esteve até este ano a pensar que estava avançado em termos futebolísticos, mas vê-se agora que está, sim, atrasado. E estas coisas demoram tempo, como demorou para a Alemanha.

A final foi, assim, o sempre clássico Alemanha vs Argentina. Foi o primeiro jogo do Mundial em que estive a torcer pelos alemães (apesar de, pelo Enzo, e também de certo modo pelo Rojo e pelo Messi, ficasse feliz caso fosse a Argentina a ganhar), e penso que foi uma vitória justa. É o culminar de um projeto que começou no início deste milénio, e que deve servir como exemplo para qualquer país. Já a Holanda acabou por perder para os argentinos nas meias-finais, mas o facto de ter ganho depois o jogo do 3º/4º lugar já foi histórico na medida em que esta foi, assim, a primeira edição do Mundial em que os holandeses não perderam nenhum jogo. Espero que este seja o "clique" para o "nosso" tão desejado título mundial!

Para terminar, os prémios. Antes de mais, não percebo o choque mundial por Lionel Messi ter ganho o prémio de Melhor Jogador do Mundial 2014. Se eu lho teria dado? Não, pessoalmente acho que ficaria melhor entregue nas mãos de Arjen Robben, Toni Kroos, Javier Mascherano ou até mesmo Manuel Neuer - que, sem grande surpresa, ganhou o prémio para melhor guarda-redes. Agora, o Messi foi Homem do Jogo em quatro jogos. É verdade que não marcou nenhum golo depois da fase de grupos, mas foi o jogador que mais oportunidades criou neste Mundial. Deixemo-nos deste patriotismo estúpido de lamber o cu ao Ronaldo e "odiar" o argentino, pois, volto a dizê-lo, eles nem sequer são rivais. Para mim, quem acha que o Messi é um jogador "banal", que só joga bem no Barcelona (se calhar Pelé, Charlton, Beckenbauer, Gerrard, Totti, Raúl também são banais, dado que jogaram sempre no mesmo clube), não percebe nada de bola, simplesmente. Estamos a falar de um jogador que, mesmo sem um título de campeão do mundo (de seleções, por clubes já foi três vezes), tem quatro Bolas de Ouro e três Ligas dos Campeões. Acho que é alguma coisa. E é verdade que ele acaba por não aparecer na equipa ideal do Mundial, mas não me parece que, por exemplo, o Óscar mereça estar lá mais do que La Pulga.

Um bem-haja,
Pedro Mendes

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Não chega já, senhor Guttman?


"Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better." Esta frase, celebrizada pelo escritor irlandês e Prémio Nobel da Literatura Samuel Beckett, está também escrita na pele do tenista suíço Stanislas Wawrinka. 
"Stan", de vinte e nove anos, passou quase toda a sua carreira "na sombra" do seu compatriota Roger Federer, recordista de vitórias em torneios do Grand Slam e ainda de semanas como líder do ranking mundial; porém, no último ano e meio, o atual número três mundial elevou o seu nível de ténis para algo nunca antes visto - muitos dizem que o "clique" foi a sua vitória na temporada passada aqui no nosso Portugal Open - e, este ano, já venceu o Open da Austrália após derrotar pelo caminho Novak Djokovic e Rafael Nadal, e ainda o torneio de Monte Carlo, sendo nesta altura o tenista que mais pontos fez em 2014.

Mas, perguntam vocês, o que é que isto tem a ver com o Benfica? Eu explico.
Para ganhar em Melbourne o primeiro Major da temporada, o Wawrinka, conforme já referi, teve de derrotar nos quartos-de-final o tricampeão em título e meu tenista preferido, Novak Djokovic. Esta vitória teve um grande significado pois, além de lhe ter dado a chegada às meias-finais do torneio, foi alcançada após na época de 2013 o suíço ter estado muito perto de derrotar o sérvio em dois torneios do Grand Slam (também no Open da Austrália, e ainda no US Open).
E, no fundo, é disto que é feito o desporto. Uma vez ganham uns, outra vez ganham outros, mas por norma, ganha quem mais se esforça por merecer ganhar. Parece simples, não é?

Sim. Mas não é isto que se tem passado com o Benfica em competições europeias. Eu estudo ciências, ainda para mais a área da Física, onde, aparte das teorias modernas como a dualidade onda-partícula - quanto à qual, honestamente, acredito ser "apenas" uma teoria intermédia -, as coisas ou são, ou não são, e uma maldição é algo muito pouco racional para eu acreditar.
Porém, já começa a ser "demais". Já lá vão oito finais consecutivas perdidas. Tudo bem, na década de 60, ganhámos as primeiras duas e perdemos as outras três... Conforme disse, uns ganham outros perdem. E tudo bem, na década de 80, perdemos as três a que chegámos, mas também não fomos favoritos em nenhuma delas. E tudo bem, na temporada passada defrontámos uma das equipa mais ricas da Europa, e a equipa era inexperiente nesse tipo de jogos... Agora, este ano caralho?! Indo à final da mesma competição pelo segundo ano consecutivo, e a jogar outra vez um grande futebol? O que é que falta, afinal?

Não consigo mesmo perceber. Antes de mais, não concordo nem um bocadinho com quem volta a dizer, este ano, que está orgulhoso da equipa. Não há desculpas para a atitude de ontem, que foi exatamente igual à do ano passado; jogar a medo, e sem fazer a mais pequena ideia do que fazer com a bola no último terço. E, a sério, não venham com desculpas da arbitragem, pois o jogo acabou por ir a penalties e aí falhámos metade. E não digam que faltava lá o Enzo Pérez ou o Lazar Markovic, pois nenhum deles teria agarrado nos pés do Gaitán ou do Rodrigo - que, mantenho, jogam ZERO em jogos decisivos - para os obrigar a pôr a bola na baliza. O que falta é mesmo outro tipo de mentalidade neste tipo de encontros, e é por isso que, apesar de isto agora ser fácil de dizer e poder soar a hipocrisia, o Jorge Jesus já esgotou o seu crédito no Benfica... Percebi ontem que ele não perdeu esta segunda final por ter voltado a errar, mas sim por ser mesmo uma limitação inerente à sua pessoa. Reconheço-lhe todo o mérito e mais algum por ter posto a equipa a jogar de novo bom futebol este ano - era muito fácil termos caído numa espiral negativa -, mas ele pôs o Benfica num patamar demasiado alto para ele. E é mesmo por isso que acho que deve sair.

Por outro lado, lá está, as oito finais que o Benfica já perdeu não tiveram todas o Jorge Jesus como treinador. E este ano até já havíamos perdido outra, a da Liga dos Campeões sub-19, e curiosamente também contra uma equipa espanhola. É irracional acreditar nesta maldição de merda, mas é também, ao mesmo tempo, perto de inevitável. E é por isso que não irei voltar a ver o Benfica a disputar uma final europeia. Não aguento outra. E se for para a ganhar, não me importo que eu não veja o jogo. Eu só quero o Benfica campeão.
E, quanto a isto, estou orgulhoso sim. Estou orgulhoso por estar triste por o meu clube, campeão nacional há quase um mês, vencedor da Taça da Liga e finalista da Taça de Portugal, ter chegado a duas finais europeias consecutivamente e ter perdido uma delas no desempate por grandes penalidades, sendo que na competição desta temporada ninguém o conseguiu derrotar, sequer, em duas horas de jogo. Isto é o Benfica, e quer eu queria quer não, irei sempre torcer por este clube.

Pedro Mendes