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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Bruxelas - Semanas 5 e 6

Olá! Eu sei, eu sei, além de estar atrasado uma semana, hoje já é domingo e como tal esta publicação devia ter saído ontem. Porém, tenho razões válidas para isso, que passarei a explicar em breve.

A semana cinco não foi, de facto, nada de especial; aulas sem perceber nada porque a Física é complicada e a minha paciência para a esgotar já está perto do fim - apesar de que o irei fazer, como é óbvio -, jogar voleibol, aprender holandês e, chegar a sexta-feira e saber que não terei direito a bolsa de Erasmus+. Agora, um mês depois de ter vindo e mais de três de ter aceitado a vaga.

Se o critério é a média, não posso fazer nada quanto a isso, pois é bastante objetivo. Agora, essa é a pior maneira de assegurar uma justa distribuição do dinheiro relativo às bolsas, e sou um gajo demasiado imparcial - tenho amigos que odeiam discutir comigo precisamente por isso mesmo - para estar a dizer isto apenas por ser o meu caso. Tenho mais dois irmãos a estudar no ensino superior, estamos os três deslocados da nossa habitação oficial, sem nenhum apoio do estado, de todo, e não tenho direito a bolsa, prevista, de resto, para todos os estudantes em mobilidade, por causa de ter uma média inferior? É o ser "diferente" do Técnico a funcionar, como sempre. Ainda não apresentei queixa, mas vou certamente fazê-lo, uma vez mais.

E ainda não o fiz pois estive desde esse mesmo dia, 14, até ontem, num curso do BEST - Board of European Students of Technology - aqui em Bruxelas. Provavelmente, os meus melhores dias desde que cá cheguei.

Basicamente, o plano foi, nos fins-de-semana ir visitar, Bruxelas e Brugges no passado sábado, e ter a semana ocupada com aulas durante o dia e festa pela noite. Começando pelas aulas, sobre a temática da água e as suas aplicações, parece que acabei o curso com 16 valores (1,5 ECTS) mas não faço ideia de como, dado que, na quarta-feira, fui a Antuérpia ver o torneio de ténis local e nos outros dias passei as aulas, apenas e só, a dormir ou a tentar fazê-lo. Aulas de duas horas com outras tantas de sono não dá com nada, e não é por isso que existem estas coisas.

O resto foi muito fixe mesmo, conheci pessoas espetaculares, a quem dei alcunhas que pegaram logo - o Georgios "Armani", o Victor "Vodka", o russo que levou meia mochila para a semana toda, o Cristian "Drakula", o Kostas Kotsiras Kualquer-coisa "KKK" e ainda o presidente do grupo da ULB do BEST, o "Mr. P." Samy que me vai fazer membro oficial aqui para ser mais fácil entrar depois no de Lisboa, quando voltar. As raparigas é que não eram nada de "especial", pois ou eram giras e desinteressantes, ou bacanas mas menos esteticamente agradáveis.

Bem, pelo menos à exceção de uma, a Kamil(k)a. Demo-nos logo bué bem desde o início, com toda a gente a dizer para "ir lá", que foi o que fiz, para receber de volta um "não sou assim" e um chocho. Ainda havia uma semana pela frente, e deixei-lhe claro que também não sou "assim", pelo que não iria tentar com mais nenhuma e que esperava ter deixado claro o que queria. Durante o resto do tempo, o MO, Main Organiser do curso, começou a aproximar-se e eu não ia fazer disso uma competição; não é a minha maneira de ser e não estava no curso mas para isso, mas para estar com novas pessoas e fazer coisas novas, como ficar completamente nu ao som da danse du limousin ao final de cada noite. 

No final, parece que de facto houve alguma coisa entre eles, não que ela não continuasse a achar piada a tudo o que eu dizia e a fazia e a vir ter comigo e o gajo, de quem não curto muito independentemente disto, a não a largar e se for preciso a falar-me como se fossemos os melhores amigos. Sou um tipo bacano, por mim tasse bem, agora, não curto joguinhos nem merdas dessas, apesar de também os saber fazer - outros amigos meus dizem que tenho demasiado jeito com gajas para o quero delas. Portanto, ya, se não consegui o que queria por não ter feito mais nada - sendo que até fiz -, é assim e pronto, quem espera que, de uma interação comigo, eu seja o único elemento ativo, a mesma cessará eventualmente. E é pena pois o gajo só a quer como espécie de troféu, tanto que vou agora jantar para os anos de uma amiga, e eles também podiam ter ido mas o Sacha, esse MO, disse que vão jantar não sei onde com outros BESTies e que depois nos vemos no centro da cidade.

A moral da história com isto tudo é que ando mesmo com "medo" de ter algo com alguma gaja e que, quando me decido por um "bora lá", parece que nunca conseguimos estar no mesmo plano de intenções - ao que se junta este meu enfado em jogos e sinais e merdas. Enfim, na verdade isto, e seja o que for, é tudo irrelevante se as coisas com a Marta correrem bem quando voltar a Lisboa. Vamos ver.

Um bem-haja,
Pedro Mendes

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Bruxelas - semana 4

Adivinharam: estou bué cansado. Hoje estive em Ghent pela segunda vez desde que cá estou, após ter ido lá há três semanas para basicamente não fazer nada de especial, e isto após termos ido sair ontem, e anteontem, e portanto o sono não andar a ser muito.

Ando a gastar cada vez menos dinheiro por semana, o que é bom, e a sair também. Porém, a motivação para estudar continua onde tem estado desde o início do mestrado: em todo o lado, menos na minha cabeça. Isso por um lado deve-se, ainda, a esta fase inicial do semestre e, ao fim deste tempo todo, já desisti de me tentar enganar a mim mesmo: pura e simplesmente, não tenho um método de estudo. E poderia fazer por o adquirir, mas as coisas têm corrido bem, pelo que não vejo interesse em fazê-lo; no fundo, acho que as vezes em que me sinto mal por não estudar não é por ter necessidade de tal, mas por causa da pressão social à minha volta. De qualquer modo, já tenho o horário totalmente definido, pelo que já posso, finalmente, definir, pelo menos, uma rotina mais estável.

Basicamente, estou inscrito em seis cadeiras, mas já avisei os professores de duas, Astrofísica e Física de Partículas, que não irei às aulas e apenas ao exame final para ter um 0, ou 1, e assim poder ser avaliado. A prof de Partículas achou ridículo, e eu também o acho, e disse mesmo que, assim sendo, não me iria fazer perguntas nenhumas e só me dizer olá, mas é assim que são as regras e não me posso prejudicar em relação a isso. Portanto, vou essencialmente focar-me em Dinamyque des fluides et plasmas (onde não ando a perceber piço, mas acho que se deve mesmo ao conteúdo e não à língua e a malta diz que é uma cadeira considerada fácil), Nanophysique, que parece ser à base de demonstrações chatíssimas mas é em inglês, somos quatro e o professor é bacano, e Didactique de la physique; tenho um bocado medo desta cadeira, pois não sei se o meu francês é suficiente e quanto trabalho terei, mas acho que vou gostar. Depois, queria ainda ver se conseguia ter de facto aprovação a Relations Internationales, pois aposto que não há nenhum engenheiro física no mundo com esta cadeira no currículo e, acima de tudo, interesso-me por estes temas.

Para voltar cá a Bruxelas é que enfim, vou voltar no dia 9 de janeiro pois fica-me a um terço do preço que vir antes. Olha, a época de exames é que só começa nesse dia, e o seu calendário será anunciado apenas no final de Novembro... Esperar até essa altura é levar a que os preços subam imenso, e em três semanas, ter um exame logo no primeiro dia não é assim tão provável. E se for, bem, a diplomacia portuguesa tem estado bastante reputada nos últimos tempos e portanto seria altura de a pôr em prática.

Já a cidade onde estive hoje, Ghent, é engraçada, tem monumentos e história, um canal no meio para se estar e esteve bom tempo. Depois disto, irei ainda a Antuérpia, para o European Open, na semana de 17, e provavelmente a Ljubljiana com a Mireia no final de novembro; uma amiga dela dá-nos casa e temos viagens a 40€, ir e vir, portanto acho que é de aproveitar. Nos meus anos e na semana seguinte é que ainda não sei o que fazer, pois ir a Amesterdão por 140€ para uma mega festa de Halloween e duas noites e depois à Escandinávia, como o pessoal quer fazer, é algo que ainda fica caro. Provavelmente terei de optar, e prefiro ir passear.

Quanto a línguas, já estou nos cursos de Francês e Holandês. O primeiro é bastante interativo, o professor é bacano - acabei há bocado a expressão escrita que ele tinha pedido até sexta, mas ya, não deu para fazer antes -, e o segundo é com um holandês que acha a língua dele a melhor coisa do mundo. E na verdade o neerlandês é relativamente simples, pois é essencialmente vocabulário alemão em gramática inglesa; a pronúncia é que é mesmo estranha, preciso de prática. Estou, ainda, num tamdem, uma atividade que consiste em conhecer alguém que fale uma língua que eu queira aprender e, assim, trocar conhecimentos. A minha parceira é a Martina, uma italiana que quer aprender português e fala alemão, a próxima língua que quero saber; porém, até agora, ela fala bem melhor a minha (nossa) língua que eu a dos germânicos - e a dela também. Acho que, pelo menos durante outubro, enquanto ainda estou no holandês, vou deixar isto unilateral e "apenas" ajudá-la com o português, porque senão acabo por me baralhar todo e não aprendo nem neerlandês, nem alemão como deve ser. Ah, e do que percebi, o atual neerlandês é a mistura dos chamados flamengo e holandês, portanto é tudo a mesma língua.

Ora bem, vou dormir. Um bem-haja.

Pedro Mendes

domingo, 2 de outubro de 2016

Bruxelas - semana 3

Estou extremamente cansado para escrever grande coisa, mas acordei que iria fazer isto e portanto, vamos lá. Tal como prometido na publicação anterior: entrámos na primeira semana de Outubro!

Antes de mais, uau, o tempo passa mesmo a correr. Este ano civil, e ao contrário de 2015, que foi um ano que não me correu especialmente bem, já tive imensas experiências diferentes e se, tudo correr bem, vou continuar a tê-las. Uma que quero que pare rapidamente, porém, é a que tive nesta semana passada, em que os meus dias começaram quase sempre comigo a (re)enviar e-mails, reclamações, enfim, a tratar de problemas que não existiriam se os serviços académicos, quer aqui em Bruxelas quer em Portugal, fossem competentes. Que, é verdade e já o escrevi aqui, eu não sou o aluno mais dedicado, sou um baldas, mas se há coisa na qual me considero exemplar é em me informar sobre o que tenho de fazer e qual o procedimento para esta e aquela ação; o caso é, não o posso fazer com segurança e certidão, quando as pessoas com quem me devo informar, não sabem (ou não parecem saber, espero eu) o que estou a fazer.

Antes de mais, reclamei do Técnico pois enviei um requerimento, cujo resultado não me foi divulgado por e-mail tal como tinham dito que aconteceria - ignoraram-me, literalmente, por cinco vezes; depois, o mesmo foi-me dado a conhecer, mas não os motivos do seu indeferimento, pelo que enviei nova reclamação (e esta aqui até comecei com, por lapso, "que tal assim?", pois o meu pai ainda a tinha estado a rever). Finalmente, a resposta que tive foi, basicamente, é assim a lei e pronto. Tudo bem, mas então, que sejam competentes e que expliquem e divulguem as merdas aos alunos.

Aqui, esta malta acho que consegue ser ainda pior; na verdade, Bruxelas parece-me uma cidade que funciona pior que o que, à partida, poderia parecer. Inscrevi-me numa cadeira para este semestre, que, na quinta-feira, mudou de repente para o segundo, e fui falar com o responsável pela mobilidade da ULB, que foi, em seguida, falar com o secretariado (fechado na sexta-feira, mas aberto para ele) e que lhe disseram, e passo a citar "we made a mistake. It happens". Pois, não. O gajo da mobilidade, um tipo mesmo bacano comigo e que perde o tempo dele a ver comigo horários e cadeiras, só foi falar com o secretariado quando eu falei em fazer uma queixa, e depois ainda me vem dizer que os estudantes estrangeiros são a menor preocupação da universidade e que, quando falei que, assim, se calhar não os deviam ter, me diz "we still have plenty, don't worry". Têm azar em não ter sabido disto antes de concorrer, senão nunca me teriam posto a vista em cima.

Finalmente, o meu coordenador de Erasmus no Técnico, às vezes levanta situações que não sabe bem como são e que depois me deixam preocupado, mas também tem o bom senso de, como me disse hoje, se ir informar, e portanto, o que vou ter de fazer agora é simplesmente escolher outra cadeira e enfim, fazer na mesma 30 ECTS cá (seis cadeiras), quando na verdade só preciso de metade, aos quais juntarei os três créditos do curso de francês que começo amanhã, para ter equivalência às cadeiras no Técnico. Este programa é tal e qual o espelho da União Europeia: burocrático e desorganizado.

Provavelmente irei escolher Astrofísica, após falar também amanhã com o professor, e assim, terei, finalmente uma cadeira da minha primeira profissão de "sonho", à qual se junta Relações Internacionais, a profissão que teria numa vida sem a preocupação de ter uma carreira estável. Ou que ainda virei a ter, veremos.

E enfim, estou cansado porque voltei hoje da Oktoberfest, após ter partido de Bruxelas na sexta ao final da tarde e ter, assim, passado as últimas duas noites num autocarro. O meu grupo voltou a ser extremamente aleatório, com um paquistanês (que me fez pagar 20€ pela mochila pois disse que não havia problema em as levarmos, e depois, como houve, "escondêmo-las" atrás duma árvore e acabaram nos perdidos e achados), um chileno, que ficou simplesmente todo bêbedo a voltarmos para o autocarro - eu fiquei mais cedo, portanto passei a viagem já de ressacada - e ainda um espanhol que, à última da hora, decidiu ir comigo mas que como já era tarde para ir desde Bruxelas, teve que ir apanhar o autocarro a Colónia. De resto, conheci ainda uma Hong-Kong-nesa, uma mexicana e imenso pessoal com quem tenho fotos e não faço ideia de quem sejam lá na festa. Que parecia especial para alemães, pois não foram poucas as vezes que fomos barrados sem razão aparente ao entrar nos lugares.

Assim me despeço. Um bem-haja, caros leitores virtuais que podem, na verdade, não existir de todo mas que merecem na mesma uma despedida. E este foi o centésimo post no blog, afinal.

Pedro Mendes

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Bruxelas - semana 2

Segundo post e já me sinto a ficar sem frases de abertura. Hoje ainda posso sacar um "Primeira semana inteira em Bruxelas...", no próximo domingo poderei usar "Chegámos a Outubro!", mas depois disso, e como não me lembro de nada por agora, vou deixar esse problema para o Pedro do futuro, que é um gajo que, quando não estraga tudo, me resolve bastantes situações - por outro lado, o Pedro do passado ou me deixa orgulhoso ou me dá vontade de gozar com ele e/ou lhe dar um par de estalos.

Antes de mais, as aulas. Tenho atividades letivas em três "sítios" diferentes: na Faculté des Sciences (a minha, mas desta vez com um B a mais no acrónimo), na VUB, a universidade flamenga, que tem uma parceria com a ULB - sendo estas duas no enorme campus La Plaine - e talvez ainda no campus principal e o mais animado, o de Solbosch. Digo "talvez" porque tenho ainda pendente o processo para alterar uma cadeira que escolhi em Ghent (que tem uma parceria com a VUB, tendo usado isso para me criarem especificamente um código para essa cadeira) para... Relações Internacionais, em Bruxelas.

O caso é que, como pensei que a cadeira de Plasmas na ULB, que é 90% de fluidos e apenas 10% de plasmas, não me ia dar equivalência depois no Técnico, inscrevi-me em ambas para prevenir essa situação; afinal, o coordenador autoriza a primeira, e assim, sendo que já que estou cá e me interesso por estes temas, gostava de frequentar algo (bem) diferente da minha área e com um professor, Mario Telò, que é uma grande autoridade no tema. O problema é que, como isto do Erasmus+ é ridiculamente burocrático, preciso novamente das assinaturas dos coordenadores quer de Lisboa, quer daqui de Bruxelas, e o do Técnico veio agora com uma conversa de que, se me inscrevia em 30 ECTS cá, tinha de ter equivalência aos mesmos lá; ora, se eu me inscrevi em trinta, foi porque mo disseram no Técnico para fazer, de maneira a "encher" o learning agreement, uma vez que eu não tenho de todo mais cadeiras possíveis de fazer fora do IST - tenho apenas três, ou seja, 18 ECTS. Espero bem que seja só um problema de comunicação, pois não há hipótese de isto agora me correr mal.

Mas bem, voltando ao tema inicial, as aulas são, essencialmente, iguais a Portugal: duas horas, comigo a já estar farto ao fim de meia, cerca de dez pessoas na sala - em RI estarão provavelmente umas boas dezenas, no entanto - e o professor a falar com relativo entusiasmo. No geral, consigo perceber, pelo menos, a ideia base, uma vez que muitas palavras são semelhantes ("particule", "trajectoire", "fluide")... Uma coisa boa é a avaliação ser por oral, algo que acho que faz bem mais sentido em mestrado, e a poder fazer em inglês caso assim o prefira.

Depois, fui ao Parlamento com uma bacana brasileira que conheci pela noite bruxelense mas chegámos tarde demais para o visitar e ficámo-nos pelo Parlamentarium, o centro didático com uma exposição sobre a história da UE, que também não tive tempo de ver como deve ser (sendo, portanto, provável que lá volte). No fim-de-semana estive em Louvain-la-Neuf para os anos de uma nossa, numa noite porreira, mas depois já de madrugada decidiu-se ir no dia seguinte a Ghent e o resultado foi termos lá chegado já depois das 16h, ou seja, com três horas de sol ou pouco mais.

A malta de LLN queria lá ficar num hostel, nós não, mas como só começaram a ver disso às 21h, voltaram connosco para Bruxelas, onde, a irmos para casa, saí de um autocarro noturno para ir buscar o resto do pessoal, que depois já estava noutro, e como resultado tive um não muito bacano a abordar-me e já a falar em me acompanhar a casa, isto após o novo autocarro se ter atrasado e ter acabado a pagar 12€ de táxi. A conclusão a que cheguei é a mesma a que chego sempre: ou saio com malta decidida a fazer as coisas e a ir aos sítios e a não se prender pelos outros, ou saio sozinho.

Esta semana vou tentar adotar uma rotina (bem) mais contida em termos de gastos, até porque irei à Oktoberfest no dia 30 e já gastei mesmo bem mais que o que queria e devia, apesar de, enfim, serem os primeiros dias e as despesas de passes e afins virem todas agora. Uma despesa que não acontecerá é a de usar as bicicletas da cidade; devido a uma promoção, terei agora seis meses sem pagar subscrição, pelo que, se andar no máximo meia-hora seguida, não pago nada - e para qualquer um dos campi demoro somente uns dez, quinze minutos. Depois de ir a Munique, estou a pensar em ir a Liège e a Dinant com o grupo de Erasmus durante o próximo mês, passar os meus anos em Amesterdão e outras cidades da Holanda, ir talvez à Polónia em Dezembro e, caso ainda dê, ir a Anfield Road - afinal, não trouxe a camisola dos Reds apenas para me obrigar a mudar as malas na altura do check-in no aeroporto.

Quanto à vida por cá, uma coisa é perder-me na matéria em português, outra é fazê-lo em francês, pelo que, e eu sei que digo isto todos os semestres, neste irei mesmo tentar ter tudo em dia. Terei seis cadeiras, em que uma delas, Techniques of Artificial Intelligence, será essencialmente de programação (coisa que eu mal faço desde 2012) e a tal cadeira de Plasmas que tenho obrigatoriamente de fazer, Dynamique des fluides et des plasmas é, como já referi, mais fluidos que outra coisa, que é provavelmente a área da física com a matemática mais complexa - e a cadeira de meios contínuos que tive na FCUL foi a maior palhaçada.

De resto, tenho amanhã/daqui a oito horas um teste de nível de francês para um curso de 3 ECTS, 30 horas. O meu nível é provavelmente alto demais para este curso, uma vez que na descrição do mesmo vem "A2 -> B1/B2" e eu já tenho o B1 e muitos francófonos me dizem que me safo bastante bem, mas o problema de me ter inscrito no de 5 ECTS (60h) era que, assim, ficava com menos tempo para um de flamengo que quero também frequentar.

É verdade que não tenciono voltar a pegar nessa língua depois de me ir embora de Bruxelas, mas já que cá estou, quero aprender alguma coisa e quando receber os ordenados milionários que se diz que os formados do MEFT têm, poderei aprofundar melhor o idioma gaulês - nem que seja no BNP Paribas, que vejo por toda a cidade e vai ao Técnico recrutar jovens engenheiros. Pena que não seja a minha cena. Depois, sugeri à Marta trocarmos postais enquanto cá estou e ela achou boa ideia; é uma cena engraçada de se fazer e dá para amenizar um pouco o facto de agora só a voltar a ver em dezembro. Pelo menos ficar a conhecê-la melhor é garantido, espero.

Pedro Mendes

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Bruxelas - semana 1

Num jantar com uns tios meus na passada terça-feira, surgiu a ideia de ir escrevendo o que vai passando durante a minha estadia em Bruxelas, onde estarei no primeiro semestre deste ano ao abrigo do programa Erasmus+, e acho que é algo que vou cumprir numa base semanal: assim, não corro o risco de, quando contar as histórias, me lembrar das memórias e não do que aconteceu em si, além de que raramente me aborrece escrever e ainda mais sobre o que vou fazendo.

Não pensei que fosse acontecer, mas estou com alguma inércia inicial agora nestes dias. O meu grupo tem sido eu, a minha colega de casa (Filipa), que conheci no curso de Francês na FLUL, um colega meu de curso no Técnico (Nelson) e uma italiana (Ilaria), uma espanhola (Mireia) e uma suíça (Seline, que pensava que era alemã pois é de Friburgo que, para mim, só existia nesse país da União Europeia). Estas três últimas fazem parte do grupo mais aleatório de sempre; fiz um post numa página de Erasmus para arranjar casa, elas as três deram like e/ou comentaram, e criei um chat em conjunto; acabámos por ficar os quatro em habitações diferentes, mas agora não se iria ficar apenas pelo Facebook. A casa é bacana, o senhorio é fixe e a Filipa, apesar de ser preciso puxar por ela, costuma alinhar nos planos do pessoal - a quem ontem se juntaram amigos nossos de Leuven, aqui perto.

Tenho tentado falar o máximo possível em Francês, especialmente com os locais. Com outros estudantes de Erasmus, a equação é simples: se são brasileiros, falamos Português, se são espanhóis, não falamos Inglês (com a Mireia, ou falamos Espanhol ou, quando ela começa a puxar para o anglo-saxonismo, eu mudo para o idioma gaulês), com canadianos, como com os que conhecemos ontem, depende do número de cervejas em cima. Que são mesmo muitas, mesmo para um gajo se perder de vez em quando.

O tempo tem estado bom, ao que parece, melhor que o normal, mas o Miguel, o meu senhorio, já avisou que para o mês que vem isto é coisa de começar a anoitecer por volta das 16h30. É demais, mas um gajo habitua-se; o que é mais estranho é mesmo a casa-de-banho ser no piso de cima, sendo que são quatro, e para ir às compras ter de me deslocar a cada uma das patisseries, boulangeries, brasseries e outras coisas acabadas em -ies - onde é tudo muito mais caro que em Portugal pois hoje, por exemplo, não comprei nada de especial e gastei 25€, o que no Pingo Doce da Carlos Mardel me deixa abastecido por uma semana. São estas as coisas que tenho vindo a estranhar, dado estar habituado à minha vida simples em Lisboa, mas pelo menos tenho a noção disso e portanto vou lutar contra esta "preguiça" até ela desaparecer.

Depois, é raro eu ser o gajo que não quer andar em grupo, mas hoje, quando fomos ver o Sporting levar três do Rio Ave aqui ao Café Portugal (com SuperBocks e a Casa do Benfica, portanto, perto de ser o Paraíso), reparei que o pensamento genérico do pessoal é "se todos forem eu também vou, então" e "não me apetecia muito mas não ia ser o único a não ir". Pessoalmente, gosto quase sempre de ter companhia e é raro não a querer, mas há já alguns anos que deixei de não fazer seja o que for por estar sozinho - o que é uma maneira de pensar que me faz sempre receber um clássico "então mas vais sozinho?!" mas, ao pé da minha colega polaca no Técnico com quem fui ao Algarve em Julho, o meu individualismo não é nada. Se a malta vier comigo é fixe, se não, dia 30 estarei na mesma em Munique para a Oktoberfest sem problema nenhum.

Tenho este blog há uns cinco anos mas não sei de ninguém que o leia sem ser quando espeto o link de uma nova publicação no chat do Facebook e, como tal, isto é um pouco como quando nas madrugadas de Lisboa vou nu, sem óculos nem lentes, para a varanda após ter estado em vias de facto no meu quarto (especialmente agora que já tenho o estrado da cama arranjado); se eu não consigo distinguir ninguém a olhar para mim, então não me causa qualquer confusão que o estejam a fazer. Portanto, como, até ver, e de certo modo ainda bem que assim o é, o Uspeti é quase como escrever no Word e guardar numa pasta qualquer, vou falar de relações nestes posts, coisa que evito ao máximo fazer em público na internet.

Nesse mesmo dia em que fui jantar a casa dos meus tios, fui em seguida ser entrevistado para o Observador, tendo em vista um artigo sobre o MEFT ser agora o curso com maior média de entrada (que pode ser lida aqui). A entrevistadora, que já nos seguíamos no Twitter há alguns meses, conseguiu surpreender-me e ser uma pessoa ainda mais interessante que o que eu pensava, o que tem sido cada vez mais difícil de encontrar. Digo, encontrar que não tenha já namorado, o que, na verdade, faz sentido: se eu considero uma tal rapariga um bom partido, certamente que não serei o único a fazê-lo, e vice-versa. Por isso é que foi mesmo fixe tê-la conhecido termos ido depois ao Real depois da entrevista, e tê-lo-ia sido ainda mais se no dia seguinte ela tivesse podido ir ter comigo ao PubhD, uma das melhores iniciativas de Lisboa. Não pôde e eu agora vim para Bruxelas, porque enfim, quando finalmente encontro uma potencial "a tal", se não está comprometida, é porque eu vou passar três meses no centro da Europa.

Como disse, é-me cada vez mais difícil encontrar um gaja que ache que valha de facto a pena. Já estou farto de estar em cenas que sei que não vão dar, e que provavelmente até poderiam dar e eu é que adoto desde logo essa mentalidade, mas isso é porque, nas que achei que iriam, foram elas que acabaram, e eu fico sempre todo fodido (o que não se verifica ao contrário, e ainda bem). Por isso, não sei bem como será a minha vida aqui nesse aspeto, tenho evitado pensar muito sobre o assunto, o que é impossível mas pelo menos vou tentando e, conhecendo, duvido mesmo que me envolva em algo de especial. Só sei que, conhecendo a minha cabeça dura, vou chegar a Portugal e querer na mesma voltar a sair com a Marta, aconteça o que acontecer por cá; quero bué voltar a ativar o modo Disney, como dizem os meus amigos para gozarem com o facto de me estar a cagar para colecionar gajas, e isso não será em Bruxelas de certeza. Se será com ela ou não, veremos.

Pedro Mendes