Visualizações

domingo, 13 de novembro de 2016

Bruxelas - Semana 9

Como diz a parte materna da minha família, "cá estamos". Mais um semana que passou e já estou definitivamente na segunda metade do período de aulas, com cinco semanas pela frente (wow, agora que escrevi o número é que me apercebi de facto do quão pouco é). Estive em Louvain-la-Neuve, uma cidadezinha típica de estudantes perto de Bruxelas e da "versão" mais conhecida da mesma, Leuven - parece que os flamengos e os francófonos se chatearam, daí agora existirem as duas - e que faz lembrar Aveiro, pela construção, e Coimbra, pela bebedeira, en route para passar a sexta-feira em Colónia, no Carnaval local; já lá tinha estado logo no início do semestre, também com o pessoal tuga que conhecemos de lá, e agora, quase dois meses depois, pareceu que tinha sido na semana passada que lá tínhamos ido. E ainda ontem estava em Copenhaga e amanhã começa a terceira semana do mês. O tempo passa rápido que é uma coisa incrível.

Ora, mas o que raio é que foste fazer a Colónia, Mendes? Na verdade, já ninguém me chama Mendes há imenso tempo; é-me automático apresentar como Pedro e quase que oiço mais vezes chamarem-me Pablo, por causa do bigode que insisto em usar, que o nome que a minha mãe me deu - quando, segundo o meu pai, me queria chamar algo não muito comum. Nailed it.
Mas bem, ya, fui a Colónia, tal como disse (leiam tudo, por favor) ao Carnaval, pois o 11/11 é o dia do Armistício da I Guerra e, pelo menos na Bélgica, é feriado. Basicamente, foi ver pessoal mascarado e/ou bêbedo (pelo menos uma das condições e não necessariamente por esta ordem de eventos), uns bacanos a pôrem uma coluna no meio da rua num carrito a passar alto trance e a malta toda a ir atrás a dançar - tive de sair da Bélgica para finalmente não ouvir reggeatons e latinas e essa merda que passa por aqui - e, às 11h11, parecia que era véspera de Ano Novo e o pessoal passou-se. Moral da história: duas vezes que fui à Alemanha, a extremos opostos, as duas de autocarro para ficar bêbedo.

No resto da semana, bem, fui finalmente ver o hemiciclo do Parlamento Europeu na segunda-feira. Foi bacano, quisemos ir na segunda para ter um guia humano e não o audio, mas a letã que nos estava a explicar as coisas não sabia muito daquilo - tinha apenas um mês de experiência - e, portanto, isso não valeu muito a pena mas é sempre fixe. Fui ainda pela terceira vez ao Parlamentarium e já sou finalmente uma enciclopédia viva da UE. No resto do tempo, estive no meu primeiro evento do BEST, o Food Festival, onde basicamente cortei tomates - não os meus, pois teria de usar uma serra e não temos um orçamento assim tão grande - e abri baguettes para o pessoal que ia lá ver o que fazíamos. Esta terça-feira há outro, onde devo ir contar a minha experiência no curso. Na quarta, foi o encontro de professores de Física da região bruxelense, na minha aula de Didática, e fui lá mas a sala estava cheia, e apenas de professores, e portanto vim-me embora; pelo caminho, encontrei um professor que me disse algo como "és aluno mas serás um futuro professor" e ainda tentei voltar mas era fisicamente impossível. Além de que tenciono ensinar, ou educar, pelo menos, mas duvido que venha a ser de facto professor.

Já saiu o calendário de exames. Ao que parece, porém, só com os escritos; os orais têm que se marcar com os professores, o que é fixe, mas deixou-me pendente até agora e sem o saber. Basicamente, tenho o exame de Relações Internacionais - cadeira para a qual tenho casos de estudo para fazer, ou pelo menos assim reza a lenda - a 25 e volto a 29, de janeiro, para Lisboa, pelo que queria ver se entretanto ia a Bucareste ver os meus peeps romenos que conheci aqui no curso. Vou agora esta semana mandar e-mails e tentar falar com os professores para os marcarem todos para antes desse dia. Por falar em contactos via internet, a FCUL continua sem me pagar e eu continuo a insistir; agora parece que a culpa é da AE, pelo que amanhã já vou contribuir para o número de mensagens não lidas dessa malta que a única coisa que faz é fumar cigarros à porta da associação e fazer festas com metade da qualidade que anunciam - generalizando, claro. Gostava de ter ido para lá, já tinha os contactos quando saí da FCUL e acho que teria boas hipóteses de, pelo menos, ter lugar de destaque na lista atual; como sabem, isso não aconteceu mas o Francisco, um dos meus melhores amigos e o gajo que não assim tão poucas vezes recebe mensagens minhas de "meu, achas que ... é boa ideia?", vai fazer parte da lista e isso já é fixe.

De resto, a primeira carta da Marta não chegou na semana passada - o senhorio diz que eventualmente chegam sempre, no entanto - e ela disse que vai reenviar amanhã, e atualizada. Isso é fixe, estou de facto bastante expectante e é um ponto positivo do tempo parecer que está a passar rápido. E como prometi que ia escrever exatamente o que queria escrever, tenho de referir uma espanhola que há por aqui com quem há um não-algo que pode vir a ser algo; ela está com um certo mecanismo de defesa, ou talvez algo mais, e o pessoal à nossa volta parece que pressiona um bocado haver alguma cena mas, e em última instância, se ambos de facto quisermos, julgo que acontecerá. E isso não invalida em nada o que comecei por dizer neste parágrafo, pois são situações e, essencialmente, momentos diferentes que eu distingo perfeitamente na minha cabeça. Só preciso de não pensar demasiado nas coisas e desfrutar do meu período aqui. Ah, e estou a gostar de aprender dinamarquês no duolingo, acho que não me vou fartar e quando voltar a Portugal e já tiver net frequentemente no dia-a-dia, volto a usar a app.

Um bem-haja, meus caros.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Viagem a Copenhaga

O post desta semana vai sair já hoje, pois, para mim, a minha semana acabou quando voltei de Copenhaga. Até domingo, o que vou fazer - a começar por hoje, quando cheguei para a segunda parte de uma aula e, como à primeira só tinha ido um aluno, não houve mais nem sequer a da tarde - será, talvez e ainda assim, um bocadinho mais que o número de candidatos adequados à Casa Branca para as eleições da próxima terça-feira.

Na noite de Halloween houve esta festa de Erasmus em casa de umas amigas e eu tinha reservado um Blablacar para ir para o aeroporto de Charleroi para as 4h30 (que depois passaram para 4h15), pelo que levei logo a mala feita para ir direto. Entretanto, e após uns shots, outras cervejas, uma erva trazida de Amesterdão e ter ficado de pelota, o pessoal saiu para ir para os cafés ao pé do Cemitério de Ixelles, onde a malta sai entre o campus de Solbosch e o de La Plaine - para onde eu fui apanhar o carro.

A viagem foi tranquila, comigo ainda meio bêbedo e a começar a ressacar ao mesmo tempo. Chegando ao aeroporto, a de avião então foi a que passou mais rápido: só me lembro de sentar, adormecer, vir uma hospedeira pedir-me para levantar a mesa, dormir novamente e, de repente, ser de dia, estar a chegar e a bebedeira ter passado. Perfeito, bora lá.

Fui deixar as coisas a casa de uma amiga que está lá a estagiar, dormi uma hora e fui para o centro onde ia ter um free tour pela cidade de hora e meia. Aprendi factos bastante interessantes (por exemplo, há uma fonte, construída pelo rei Christian IV, que foi feita para deitar vinho, em vez de água, para uma cerimónia), fui almoçar no Copenhagen Street Food Market e, depois de ir a um posto de informações e descobrir que o passe que comprei de 72h tinha alcance até onde estava a ficar alojado - e, portanto, ter já gastado o mesmo número de coroas para nada nesse dia -, decidi não deixar para depois e ir desde logo a Malmö. A viagem, ida e volta, foi de cerca de 170 coroas, ou seja, 22€. Além da Escandinávia ser provavelmente a zona mais cara da Europa depois de, provavelmente, Londres e Paris, a noção de dinheiro é feita às dezenas: para eles, algo que custe até cinquenta "cenas" é considerado barato, pois 35 DKK equivalem a cerca de 5€.

Entretanto, cheguei a Malmö, após ter vindo a falar com um dinamarquês (temos de começar a ser como os ingleses e os espanhós e a chamá-los de "daneses", é bem mais curto) que falava espanhol e, depois de ter ido ao turismo e sendo já 15h30, pus-me logo a andar para sul, para ao pé de uma torre futurista que é também o ponto mais alto da península.

A torre não é nada de especial; tem uma forma em espiral, ya, mas é meramente de apartamentos, pelo que nem sequer fui muito perto dessa zona, toda ela cheia de casas também elas avant-garde. Agora, o pôr do Sol com vista para a ponte que liga a Dinamarca à Suécia é uma cena linda. Aconteceu às 16h30, o que quer dizer que, pouco mais de meio dia antes, estava eu consideravelmente não-sóbrio em Bruxelas. E agora, estava sozinho, a levar com vento por todos os lados, no sul da Suécia, a olhar para o Sol a pôr-se às 15h30 do meu país Natal. Lindo.

Como decidi ficar um bocado mais a passear por essa zona, quando fui finalmente para o centro da cidade, já não havia luz natural. Porém, deu para ver parques e zonas verdes com água pelo meio, praças bastante arranjadas, pessoas na rua, luzes, enfim; Malmö, como dizem os espanhóis, "me encanta" e hei de certamente voltar. Ao voltar para ir apanhar o comboio, desta vez na estação na parte norte e não na Central, onde havia saído três horas antes, o mesmo havia sido cancelado sem razão aparente; nada é perfeito, afinal.

Cheguei a casa já só por volta das 20h30, para jantar com a Inês, e depois disso uma holandesa convidou-me para "hang out" pelo couchsurfing, onde andei à procura de alojamento previamente. Como tinha outro tour, este de três horas, às 11h do dia seguinte e estava com uma hora de sono seguida em cima, demorei a decidir-me e ela depois acabou por ir para casa - e, ao que parece, ter alguns problemas que felizmente se resolveram -, pelo que combinámos encontrar-nos para me mostrar a cidade quando for a Amesterdão daqui a duas semanas.

O dia seguinte começou, então, com esse tal tour, o Grand Tour, por três quilómetros pela cidade, onde voltaram a falar dos incêndios que houve na cidade - dois, o que é incrível dado o frio que estes bacanos rapam -, do príncipe que é casado com uma australiana que conheceu nos olímpicos, no bispo Absalon que ganhou uma batalha pois destruiu a estátua do Deus de outro pessoal e então eles acharem que, assim sendo, a única coisa a fazer era a rendição, e muitas outras. Foi aqui que conheci uma escocesa, a Nicole, com quem fui depois ver A Pequena Sereia - que não é tão fixe como dizem os não-dinamarqueses, mas também não tão desapontante segundo os locais - e que combinei ver mais tarde antes de fechar a janela do Facebook onde anotei o nome dela. Felizmente, após chegar, acabei por a encontrar e talvez a volte a ver.

Depois disso, fui para o tour por Christiania, um bairro de Copenhaga, desta feita em castelhano pois as espanholas e mexicanas que vinham também desde Bruxelas já tinham chegado, além da minha colega de casa portuguesa. Este bairro é especial pois tem a sua própria lei (de certo modo) e, apesar de desacatos recentes, a polícia não entra, ou algo do género. O que há a reter daqui, porém, é que recomendo imensamente estes tours para quem for à capital "danesa". Só tenho pena de não ter tido mais dinheiro para a gorjeta, uma prática quanto à qual sou contra no geral mas não em casos com este.

Depois disto, fomos comer para um bar de estudantes de Erasmus e juntou-se a nós um gajo do BEST que conheci aqui em Bruxelas e que está lá em mobilidade. Fomos para a sua residência - enorme, para 700€ por pessoa por mês, com portas "normais" automáticas à imagem do resto da cidade - onde ficámos a beber, sendo que depois, e após as raparigas se terem ido embora, ainda fomos a um bar (com ele a explicar-me grande tática para tentar sacar uma das mexicanas e eu a rir-me bué) mas estava fechado e fui então também eu para casa.

Ontem, o último dia, já não fiz nenhum tour. Fui deixar a bagagem ao hotel delas, levei-as ao Grand Tour, fui ver dois museus. Primeiro, as ruínas do palácio de Christiansborg - que começou por ser construído pelo tal bispo badass há mais de 800 anos, tendo mais tarde passado a ser castelo "oficial" da cidade e ir agora na terceira versão com o nome atual (castelo de Christian), pois as duas anteriores, tal como o resto da cidade em algum momento, ardeu. É por isso que algumas casas não têm a esquina em 90 graus, mas em 45 graus, pois foram remodeladas após um dos incêndios e estando assim é mais fácil de combater um possível fogo no local. Aprendi bastante sobre a história da cidade nesse lugar; por exemplo, Kobenhavn, o nome da cidade, vem de Koben (mercado) e Havn (forma curta para porto). Bem, na verdade isto aprendi pois estava mal explicado na exposição e fui posteriormente questionar um dos gajos na bilheteira, mas conta. E vale mesmo a pena, pois também se pode ver, com outro tipo de bilhete, a antiga cozinha (40 DKK para estudantes, 60 DKK "normal") e ainda o local onde a rainha faz, ainda hoje, receções a convidados (o dobro do preço).

O outro museu que fui ver, após ter perguntado a umas dez pessoas, foram os Danish National Archives, que não sabia o que era mas que consistia numa exposição sobre como era ser um jovem dinamarquês nos anos 50 e 60, ou seja, em plena Guerra Fria. Não se pagava, mas não era por isso que não deviam ter mais que apenas um pequeno resumo em inglês, pois gostava de ter aprendido bem mais do que fiquei a saber. Este recomendo caso passem lá perto; se não, dá para ver na mesma recortes de jornais e objetos da época, mas se não souberem a língua vão ficar consideravelmente à toa.

Após isto, juntei-me novamente às hispânicas perto da "sirenita" e fomos à torre do Christiansborg ver uma vista fenomenal por Copenhaga - uma boa maneira de me despedir da cidade. Depois, fomos a um shopping ver de chocolates e merdas que elas queriam (na verdade era apenas comida), fui ao hostel pegar a mala, fui para o aeroporto, onde houve grande espera após ter chegado atrasado à porta de embarque mas o voo chegou na mesma a horas - e fui à janela, para contrariar o clássico aviso da Ryanair de "reserve o seu lugar, pode ficar com um no meio"!

Chegado a Bruxelas, bem, tive de arrotar 17€ pois não consegui um blablacar, por ter estado na fila errada, só apanhei o da meia-noite e quando cheguei já não havia transportes e paguei mais 15€ para chegar a casa. Ridículo, estava quase a bufar mas é aqui que há que ser estoico.

Conclusões da viagem: Copenhaga é do caralho. Pagava tranquilamente 68% de impostos para ter o país a funcionar bem, organizado, com pessoas que nem pensam em se esquivar às leis pois as coisas, de facto, funcionam e bem - até uma televisão com notícias e wifi nos autocarros têm! Acostumando-me ao clima, ponderarei seriamente viver por lá; aliás, hoje mesmo comecei a aprender dinamarquês no duolingo para isso mesmo. Foi uma grande experiência, das melhores pelas quais já passei.

Um bem-haja,
Pedro Mendes

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Bruxelas - Semana 7

E outubro já está a acabar. O tempo começou por parecer que estava a passar devagar nos primeiros dias, mas este décimo mês do ano (basicamente, desde que estive na Oktoberfest até que fiz anos, ontem) foi-se num instante. E com isso, já metade do meu Erasmus.

Após voltar à "vida real", depois do curso do BEST, juntei-me ao grupo local daqui da ULB. O presidente é cinco estrelas e a malta, no geral, também, e como disse, não estou nisto apenas por estar e para depois entrar no grupo de Lisboa mais facilmente; comigo, se é a sério, é a sério, e vou querer fazer coisas. Quanto depois a voltar a Portugal, na verdade, não sei se me quererei de facto juntar ao LBG - Local BEST Group - de Lisboa; não gosto de ambientes de pseudo-cultos e elitismos e infelizmente, não estou a generalizar assim tanto ao dizer que tudo o que acontece no Técnico segue estes "valores".

De resto, tenho jogado voleibol e estado cada vez mais em forma. Mentalmente, ainda estou lento a responder a certas jogadas, mas fisicamente já voltei a mover-me como o fazia no secundário. Entretanto, acabei o curso de A0 de neerlandês e o professor disse para continuar agora no próximo nível, mas já chega; tenho imensa coisa para fazer e já tenho bases para perceber algumas coisas, que era o que queria.

O meu aniversário correu fixe, jantámos em casa da Seline, com umas italianas amigas delas, e depois apareceu um bacano do BEST com mais umas seis pessoas (tinha-me dito que eram só três) e fomos para o centro sair, para o Mezzo, um dos mil bares que só passa reggeaton e merdas dessas mas, e enfim, tá-se bem. Um professor de 35 anos todo narso pagou-me duas cervejas por fazer anos e ontem jantei em casa da Ilaria com uma prima dela e fomos à festa de Techno a que queria ir há bué mas que foi meio flop, pelo que que retornei à base relativamente cedo.

Na terça-feira, vou para Copenhaga; tenho o voo às 6h55 em Charleroi, pelo que vou direto de uma festa de Halloween, que há amanhã, apanhar um blablacar às 4h15 ao pé de La Plaine e assim gastar apenas 5€ em vez de, pelo menos, 19€ (14€ do shuttle que há desde a Gare do Midi para esse aeroporto e o Collecto, uma espécie de táxi low-cost, a 5€, para lá). Vou mais ou menos sozinho, mas fico em casa duma amiga, tenho lá um bacano do BEST de cá, na quarta chegam as mexicanas e a minha colega de casa e mais duas espanholas, pelo que teremos um relativo grupinho. Não sei é ainda se conseguirei ir a Malmö, mas gostava.

Depois, volto de Copenhaga na quinta, tenho aula na sexta, e volto a sair daqui, provavelmente para Maastricht no próximo fim-de-semana - onde tenho três amigas - e vou finalmente a Amesterdão (e a Zaanse Schaans, uma vila típica holandesa ao que parece) no dia 19, indo direto do concerto dos MONO no dia antes. A 22, irei literalmente passar a noite a Dublin - dois euros cada viagem, chego às 19h e pouco e parto de volta às 6h mas pelo preço era de aproveitar -, talvez volte a Amesterdão com um grego que conheci no curso e no último fim-de-semana antes de vir irei a Ljubljana. Isto tudo, no total, pouco passa dos 100€, exceptuando as deslocações para Charleroi nos casos de Copenhaga e Ljubljana. Não tenho estudado muito, é certo, mas tenho de aproveitar estes preços e esta localização para isto; além do mais, do que já percebi, tenho "apenas" duas cadeiras a sério para fazer cá, que não vou subestimar mas que posso ir adiando.

A Marta disse que me ia mandar uma carta amanhã, algo que me deixa q.b. expectante. Há bocado, no twitter, deixou-me imensamente sem jeito. Mas vou parar de pensar demais sobre as coisas e ir só dormir, pois, depois das 10h, só voltarei a fazê-lo numa cama na manhã de terça-feira e apenas uma hora no máximo.

Um bem-haja,
Pedro Mendes

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Bruxelas - Semanas 5 e 6

Olá! Eu sei, eu sei, além de estar atrasado uma semana, hoje já é domingo e como tal esta publicação devia ter saído ontem. Porém, tenho razões válidas para isso, que passarei a explicar em breve.

A semana cinco não foi, de facto, nada de especial; aulas sem perceber nada porque a Física é complicada e a minha paciência para a esgotar já está perto do fim - apesar de que o irei fazer, como é óbvio -, jogar voleibol, aprender holandês e, chegar a sexta-feira e saber que não terei direito a bolsa de Erasmus+. Agora, um mês depois de ter vindo e mais de três de ter aceitado a vaga.

Se o critério é a média, não posso fazer nada quanto a isso, pois é bastante objetivo. Agora, essa é a pior maneira de assegurar uma justa distribuição do dinheiro relativo às bolsas, e sou um gajo demasiado imparcial - tenho amigos que odeiam discutir comigo precisamente por isso mesmo - para estar a dizer isto apenas por ser o meu caso. Tenho mais dois irmãos a estudar no ensino superior, estamos os três deslocados da nossa habitação oficial, sem nenhum apoio do estado, de todo, e não tenho direito a bolsa, prevista, de resto, para todos os estudantes em mobilidade, por causa de ter uma média inferior? É o ser "diferente" do Técnico a funcionar, como sempre. Ainda não apresentei queixa, mas vou certamente fazê-lo, uma vez mais.

E ainda não o fiz pois estive desde esse mesmo dia, 14, até ontem, num curso do BEST - Board of European Students of Technology - aqui em Bruxelas. Provavelmente, os meus melhores dias desde que cá cheguei.

Basicamente, o plano foi, nos fins-de-semana ir visitar, Bruxelas e Brugges no passado sábado, e ter a semana ocupada com aulas durante o dia e festa pela noite. Começando pelas aulas, sobre a temática da água e as suas aplicações, parece que acabei o curso com 16 valores (1,5 ECTS) mas não faço ideia de como, dado que, na quarta-feira, fui a Antuérpia ver o torneio de ténis local e nos outros dias passei as aulas, apenas e só, a dormir ou a tentar fazê-lo. Aulas de duas horas com outras tantas de sono não dá com nada, e não é por isso que existem estas coisas.

O resto foi muito fixe mesmo, conheci pessoas espetaculares, a quem dei alcunhas que pegaram logo - o Georgios "Armani", o Victor "Vodka", o russo que levou meia mochila para a semana toda, o Cristian "Drakula", o Kostas Kotsiras Kualquer-coisa "KKK" e ainda o presidente do grupo da ULB do BEST, o "Mr. P." Samy que me vai fazer membro oficial aqui para ser mais fácil entrar depois no de Lisboa, quando voltar. As raparigas é que não eram nada de "especial", pois ou eram giras e desinteressantes, ou bacanas mas menos esteticamente agradáveis.

Bem, pelo menos à exceção de uma, a Kamil(k)a. Demo-nos logo bué bem desde o início, com toda a gente a dizer para "ir lá", que foi o que fiz, para receber de volta um "não sou assim" e um chocho. Ainda havia uma semana pela frente, e deixei-lhe claro que também não sou "assim", pelo que não iria tentar com mais nenhuma e que esperava ter deixado claro o que queria. Durante o resto do tempo, o MO, Main Organiser do curso, começou a aproximar-se e eu não ia fazer disso uma competição; não é a minha maneira de ser e não estava no curso mas para isso, mas para estar com novas pessoas e fazer coisas novas, como ficar completamente nu ao som da danse du limousin ao final de cada noite. 

No final, parece que de facto houve alguma coisa entre eles, não que ela não continuasse a achar piada a tudo o que eu dizia e a fazia e a vir ter comigo e o gajo, de quem não curto muito independentemente disto, a não a largar e se for preciso a falar-me como se fossemos os melhores amigos. Sou um tipo bacano, por mim tasse bem, agora, não curto joguinhos nem merdas dessas, apesar de também os saber fazer - outros amigos meus dizem que tenho demasiado jeito com gajas para o quero delas. Portanto, ya, se não consegui o que queria por não ter feito mais nada - sendo que até fiz -, é assim e pronto, quem espera que, de uma interação comigo, eu seja o único elemento ativo, a mesma cessará eventualmente. E é pena pois o gajo só a quer como espécie de troféu, tanto que vou agora jantar para os anos de uma amiga, e eles também podiam ter ido mas o Sacha, esse MO, disse que vão jantar não sei onde com outros BESTies e que depois nos vemos no centro da cidade.

A moral da história com isto tudo é que ando mesmo com "medo" de ter algo com alguma gaja e que, quando me decido por um "bora lá", parece que nunca conseguimos estar no mesmo plano de intenções - ao que se junta este meu enfado em jogos e sinais e merdas. Enfim, na verdade isto, e seja o que for, é tudo irrelevante se as coisas com a Marta correrem bem quando voltar a Lisboa. Vamos ver.

Um bem-haja,
Pedro Mendes

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Bruxelas - semana 4

Adivinharam: estou bué cansado. Hoje estive em Ghent pela segunda vez desde que cá estou, após ter ido lá há três semanas para basicamente não fazer nada de especial, e isto após termos ido sair ontem, e anteontem, e portanto o sono não andar a ser muito.

Ando a gastar cada vez menos dinheiro por semana, o que é bom, e a sair também. Porém, a motivação para estudar continua onde tem estado desde o início do mestrado: em todo o lado, menos na minha cabeça. Isso por um lado deve-se, ainda, a esta fase inicial do semestre e, ao fim deste tempo todo, já desisti de me tentar enganar a mim mesmo: pura e simplesmente, não tenho um método de estudo. E poderia fazer por o adquirir, mas as coisas têm corrido bem, pelo que não vejo interesse em fazê-lo; no fundo, acho que as vezes em que me sinto mal por não estudar não é por ter necessidade de tal, mas por causa da pressão social à minha volta. De qualquer modo, já tenho o horário totalmente definido, pelo que já posso, finalmente, definir, pelo menos, uma rotina mais estável.

Basicamente, estou inscrito em seis cadeiras, mas já avisei os professores de duas, Astrofísica e Física de Partículas, que não irei às aulas e apenas ao exame final para ter um 0, ou 1, e assim poder ser avaliado. A prof de Partículas achou ridículo, e eu também o acho, e disse mesmo que, assim sendo, não me iria fazer perguntas nenhumas e só me dizer olá, mas é assim que são as regras e não me posso prejudicar em relação a isso. Portanto, vou essencialmente focar-me em Dinamyque des fluides et plasmas (onde não ando a perceber piço, mas acho que se deve mesmo ao conteúdo e não à língua e a malta diz que é uma cadeira considerada fácil), Nanophysique, que parece ser à base de demonstrações chatíssimas mas é em inglês, somos quatro e o professor é bacano, e Didactique de la physique; tenho um bocado medo desta cadeira, pois não sei se o meu francês é suficiente e quanto trabalho terei, mas acho que vou gostar. Depois, queria ainda ver se conseguia ter de facto aprovação a Relations Internationales, pois aposto que não há nenhum engenheiro física no mundo com esta cadeira no currículo e, acima de tudo, interesso-me por estes temas.

Para voltar cá a Bruxelas é que enfim, vou voltar no dia 9 de janeiro pois fica-me a um terço do preço que vir antes. Olha, a época de exames é que só começa nesse dia, e o seu calendário será anunciado apenas no final de Novembro... Esperar até essa altura é levar a que os preços subam imenso, e em três semanas, ter um exame logo no primeiro dia não é assim tão provável. E se for, bem, a diplomacia portuguesa tem estado bastante reputada nos últimos tempos e portanto seria altura de a pôr em prática.

Já a cidade onde estive hoje, Ghent, é engraçada, tem monumentos e história, um canal no meio para se estar e esteve bom tempo. Depois disto, irei ainda a Antuérpia, para o European Open, na semana de 17, e provavelmente a Ljubljiana com a Mireia no final de novembro; uma amiga dela dá-nos casa e temos viagens a 40€, ir e vir, portanto acho que é de aproveitar. Nos meus anos e na semana seguinte é que ainda não sei o que fazer, pois ir a Amesterdão por 140€ para uma mega festa de Halloween e duas noites e depois à Escandinávia, como o pessoal quer fazer, é algo que ainda fica caro. Provavelmente terei de optar, e prefiro ir passear.

Quanto a línguas, já estou nos cursos de Francês e Holandês. O primeiro é bastante interativo, o professor é bacano - acabei há bocado a expressão escrita que ele tinha pedido até sexta, mas ya, não deu para fazer antes -, e o segundo é com um holandês que acha a língua dele a melhor coisa do mundo. E na verdade o neerlandês é relativamente simples, pois é essencialmente vocabulário alemão em gramática inglesa; a pronúncia é que é mesmo estranha, preciso de prática. Estou, ainda, num tamdem, uma atividade que consiste em conhecer alguém que fale uma língua que eu queira aprender e, assim, trocar conhecimentos. A minha parceira é a Martina, uma italiana que quer aprender português e fala alemão, a próxima língua que quero saber; porém, até agora, ela fala bem melhor a minha (nossa) língua que eu a dos germânicos - e a dela também. Acho que, pelo menos durante outubro, enquanto ainda estou no holandês, vou deixar isto unilateral e "apenas" ajudá-la com o português, porque senão acabo por me baralhar todo e não aprendo nem neerlandês, nem alemão como deve ser. Ah, e do que percebi, o atual neerlandês é a mistura dos chamados flamengo e holandês, portanto é tudo a mesma língua.

Ora bem, vou dormir. Um bem-haja.

Pedro Mendes